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terça-feira, 18 de junho de 2013

A (r)evolução individual

Raros são os momentos onde temos total controle sobre eles. Numa divagação breve e calculista é possível se derreter diante da constatação de que são praticamente fictícios. Somos frutos de um sistema maior do que o político, o econômico. Somos parte de uma sociedade. Somos uma raça. Uma só, ouviram?

Felizmente, isso não quer dizer que somos iguais. Somos raça heterogênea, que vive, pensa e age diferente de todos - sem exceção – os seres racionais que dividem essa fatia de tempo na Terra.

Ontem, 17 de junho de 2013, presenciamos uma parcela da parcela brasileira da raça sendo representada na rua. Pois, apesar das diferenças, um sentimento é uníssono por aqui: a injustiça. E é ele que moveu e moverá muita gente a se juntar a uma indignação coletiva e totalmente legítima.

Tão rápido quanto à união, surgem as divergências. Normais e saudáveis. Mas como tudo o que é humano, as diferenças vêm acompanhadas de paixões. E a pior delas – sei bem porque luto contra ela todos os dias – é a paixão por estar certo.

É dela que nasce a intolerância. O muro que separa os indivíduos da sabedoria.

Depois de milhares de litros de cerveja, de centenas de horas e muita saliva jogada fora em conversas de bar, conseguimos dar à luz o discurso. Ver e participar do que parecia uma foto velha num livro didático. Agora meus amigos, é preciso respirar e aliviar as paixões. A razão é o que vai manter o discurso vivo.

Mas qual será o discurso?

Sugiro começar pelo começo. Terminar o que foi iniciado. Baixar a tarifa. Sem a intolerância de ideias. Sem disputa por bandeiras. A paixão por estar certo é uma cilada. Uma cilada que abocanhou quem já quis mudar o país pra melhor no passado.

Nem direita. Nem esquerda. Nem revolucionário. Nem burguês.


Somos a parcela da parcela brasileira da raça humana e o nosso prazer de estar certo é um deleite individual e egoísta. E claro, não vai mudar porra nenhuma.

A propósito. Pode dizer que estou errado. É perfeitamente possível.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Revoluir



Aguardo pacientemente a revolução. Sentado em um banco de praça, vendo as rodas pequeninas de um lado para o outro. Observando o sorvete se liquidificando debaixo dos raios de sol. Ouvindo os carros e toda forma de atrito gerado pela física urbana. 

Queria eu ter a sagacidade e competência para olhar feito raio X para as mazelas do mundo. Encontrar os minúsculos ferimentos incrustados nas unhas podres da sociedade. Mas eu não posso. Eu não consigo. Talvez eu esteja enganado. Nem quero.

Sou fraco demais para a revolução. Só pretendo amar e mudar as coisas, como a alucinação de Belchior. Aliás, há vezes que acho que realgumacoisar é perda de tempo. Revoluir é um verbo que se quer existe. Acho que ele tem um r sobrando. Acho que é isso.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Vote nas Meias

Se for pensar pelos critérios da dimensão, é claro que qualquer província torna-se incomparável com um mero cubo mobiliado que carinhosamente chamamos de quarto. Porém o cuidado com as próprias meias aos seis anos de idade pode denotar habilidade – ou falta de – para assuntos de governança.

Nunca votem em mim. Confundo meus pares de meias, dobro sem nenhum resquício de geometria os meus cobertores e perco pecaminosamente as minhas canetas. Ou seja, se não consigo cuidar das minhas próprias miudezas, como seria a minha vida cuidando da sua?

Infelizmente não tivemos, e é provável que nem venhamos a ter, a possibilidade de conhecer as mães dos políticos dos quais disputam, ferozes, a nossa preferência. De certo que perguntaria sobre as meias. Mas principalmente sobre a falta de surra que tanto lhes faz necessária hoje em dia.

Filhos das putas!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Acordem barbados!


Sei que não tenho nada a ver com isso - e nem venha tentar me convencer de que tenho. Mas é que fiquei muito encabulado com essa história toda. Analisemos o cenário e seus personagens. O local sacrossanto do livre pensamento é ferido pela presença de autoridades odiadas pelo futuro da nação, mas que dias antes tiveram seus serviços solicitados de joelhos pelo senhor reitor, acatando reivindicação dos frequentadores do ambiente. Frequentadores estes que tinham razão em querer não levar uma bala na cabeça ou ser uma vítima do ainda não inventado maníaco da Cidade Universitária. A coisa estava tão tensa que a rapaziada resolveu dar uma relaxada. Coisa pouca. Opa! Peraí! Cadê a minha liberdade agora? Apagaram com o coturno.

O futuro da nação não gostou nada disso, e viu nesse factoide a perfeita oportunidade de seguir as tendências mundiais. Como assim, somos jovens em um país desigual e não lutamos por nada?! Que absurdo, que injúria! Brigaremos então pelos alunos repreendidos pelos malévolos homens da lei. Falando em lei, gostaria de lembrar que que ela existe. Longe do pensamento fundamentalista, acho saudável quebrar regras e até leis de vez em quando. Eu mesmo o faço. Claro que não contarei quando e como. Sabe por quê? Simples. Por causa das consequências. Faço errado e sei disso. Não tento convencer o mundo do contrário.

Moralismos à parte, ética e bom senso à parte, a bula do simancol à parte, o que está mesmo faltando ao futuro da nação é uma boa dose de realidade. Matéria que deveria ser incluída na Fuvest do ano que surge. Quem sabe assim as caras metidas em Foucault e Marx olhem para o mundo aqui fora e possam finalmente exercer a intelectualidade com o mínimo de discernimento e um pouco menos de paixonite aguda pelo suposto poder de poder qualquer coisa. Quem mais sai perdendo com essa zona toda é o meu, o seu e o futuro deles; o futuro da porra da nação.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Melhor Assim

Viver é simples e involuntário. Respirar é a prova disso. Dominar as ações é praticamente impossível, teoricamente utópico. Os desejos corroem as entranhas até que sejam saciados, expurgados do corpo e da alma como o diabo na exorcismação. E isso tira toda e qualquer possibilidade de domínio sobre a vida e seus elementos.

Milênios nos desafiam e riem de nós, soltam gargalhadas titânicas. Tudo porque, ingênuos, não temos ínfima noção do que estamos fazendo neste mundo. É desaconselhável refletir em demasia sobre a questão. A história prova que muitos tentaram, mas quedaram diante da loucura. Se fosse o destino de tal mistério ser compreendido, já o teríamos feito. É disso que debocham os milênios.

Tentativas mais coerentes e saudáveis são as que procuram decodificar pequeninos problemas. Mínimos diante da grandeza da humanidade. Problemas de amor, de necessidade, de egoísmo, de ódio, de amor. Pois cada um de nós tem situações suficientes para gastar seus dias. Prefiro não descobrir a que vim, para não saber que fracassei.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

De Levante


Parece uma grande esteira automática rolante cercada de neblina e comigo a tiracolo. Acelerar o passo me desequilibra. Contê-lo não funciona. Vivo ao sabor da esteira. Ela me leva, eu não reclamo. Assim vamos, juntos. Eu e a esteira. Nunca perguntei aonde ela dá. Nem sei se minha companheira tem um final. Confio nela, mas não deveria. Afinal, para o que ela me leva?

Sem poder ver alguns metros a frente, achei de bom gosto abandonar a razão. Pensar é só um passatempo. Sentir é uma condenação. Ela, a esteira, decidiu assim. Ela me leva, eu não questiono. O que mais poderia ser assim tão intenso? Se eu é que levasse a esteira? Impossível. Pouco atraente inclusive. Cairia no erro mais primário: confiar em minhas convicções.

Estar convicto é deleite passageiro. Como tudo o que é bom e ruim. Permanente mesmo é a esteira. Que nem é boa e nem ruim. Ela é o que quero que ela seja. Até porque nunca pensei em que raios ela é de verdade.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Dia de Todo Mundo

Outro dia aí me disseram que era dia do amigo. Acho que é o único dia de alguma coisa em que todos somos os homenageados. Se o indivíduo não tem capacidade para alimentar uma amizade com outro ser humano, recorre à fauna. Alguns dizem até que bichanos e vira-latas cumprem melhor a função do que os homens - do que as mulheres não há dúvida.

Como senti-me congratulado por acreditar ser um bom amigo resolvi me presentear. Comprei um presente que eu odiaria em qualquer circunstância, mandei embrulhar com qualquer papel e escrevi umas palavras avulsas num cartão horrendo estampado com um cogumelo com cabeça de morango. A intenção era simular a aquisição de uma pequena lembrança para um amigo querido. Percebi então que eu era um grandessíssimo  filho da puta.

Descobri também como são amigos meus amigos. Porque entendem que a filhadaputagem é um fator inerente à amizade. A amizade permite errar (sem excessos, pessoal), o amor não. Portanto vai aqui um pedido de desculpas por agir de maneira tão inconsequente com vocês, amigos.

Mas também, quer saber? Vocês são iguaizinhos a mim. Então, foda-se, vamos tomar uma gelada.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A Difícil Jornada Do Acéfalo Por Opção

É odioso começar qualquer texto com um ditado popular. Mas perdoem-me, é necessário. Portanto aí vai. "O pior cego é o que não quer ver". Bonito isso. Profundamente tocante e dolorosamente verídico. Me faz pensar em tantas coisas que nem consigo organizá-las a fim de deitá-las em letras aqui. Mas uma dessas coisas se destaca no meio das minhas divagações. Uma paródia da anedota citada. Algo tão original quanto "O pior cego é o que não quer pensar", ou então, "O pior ignorante é o que não quer saber". Enfim decidi que não tentaria perpetuar nenhuma dessas opções. Mas o olho do furacão está exatamente na essência dessas tentativas frustadas de emplacar um novo ditado. Engolindo ferozmente, sem dó, qualquer esperança que ainda reste no ser humano e em suas atitudes - quase todas - questionáveis. E como ser humano que sou (até segunda ordem) tomei a liberdade de questionar meus companheiros de raça. Eu tu nós vós eles. Todos inclusos. Não pense que você é especial, muita gente acha isso, o que o torna comum. Questiono a proeza de abrir mão do raciocínio. Somos bípedes e temos um polegar opositor (oh!), considerados a raça racional. Porém conseguimos optar por não pensar, quando não queremos. Dá preguiça às vezes, eu sei. Ninguém pensa ao responder se quer ou não um pedaço de chocolate, ou quando se está excitado. O problema é não-pensar ao ponto de perder a prática.


Jéurison levanta e faz a barba com o creme que é um Fenômeno. Liga a TV e acredita nela. Evita café porque disseram que faz mal à saúde. Pega a linha 3459 e enfrenta três horas e meia de viagem, quando podia tomar o trem e chegar ao destino gastando metade do tempo. Mas não faz isso porque na época dele o trem era frequentado por arruaceiros e maconheiros. Tropeça num buraco e é atingido por um bueiro voador, xinga o prefeito - só falta o prefeito ouvir, mas isso é um mero detalhe. Ganha mal como jardineiro, até queria ser outra coisa, mas sua mãe diz que é um trabalho honesto. Está certa a velha, mas que ele ganha mal, ah ganha. Planta girassóis no inverno porque o patrão manda, dali a dias quem gira é a lua. Não perguntei a religião, mas é fiel. A vida é dura para Jéurison. Ele tem preguiça de pensar.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Meus Aforismos Parte I

-Eu acredito no amor. Mas ele não acredita em mim.

-Penso grande, muito grande, sempre. A queda é maior, mas pelo menos dá pra cair de paraquedas.

-Escrevo muito do que gostaria de falar. Penso muito do que gostaria de escrever. Falo pouco do que deveria dizer.

-Humor é uma arte. E a arte não tem limites.

-Expectativas não servem pra nada.

-Romântico, da segunda fase ainda.

-Poesia é filosofia cantada.

-Cretino é uma palavra tão pouco usada. Gosto dela.

-Esses extremistas são um porre.

-Organizar as ideias pra quê? Gosto tanto delas bagunçadas.

-Crise não é uma palavra unilateral.

-Se todo mundo praticasse o moralismo que prega, o mundo seria um 
santuário.

-Ser muito exigente e ter mal gosto é uma combinação fatal.

-É fácil gozar a vitória. Difícil é engolir a derrota.

-Realidade aumentada é ficção.

-Há certas coisas que não consigo enxergar a genialidade atribuída a elas. 
Supervalorização da obra ou ignorância minha?

-Se o dito "Você vale o que você tem" fosse verdade, eu seria o maior canalha da paróquia.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Seja Ideal

Você está terminantemente proibido de sentir qualquer tipo de tristeza, angústia ou ausência de humor. Você é obrigado a sorrir para tudo e todos, todos os dias. É inconcebível que você deixe transparecer qualquer fraqueza. Errar é fatal. Tenha os melhores bens. E o melhores mals também. Tenha tudo. Saia por cima em qualquer situação, mesmo que você esteja errado. Quem liga para a coesão das coisas? O que importa é ser genial. Seja o mais magro, o mais belo. Só não caia na estupidez de pensar, isso te denigre, já que uma vez pensador, não vai conseguir segurar em sua boca certas coisas. Coisas essas que são verdades. E verdades não são para os perfeitos. Perfeição? Sim ela existe. Existe porque as pessoas mentem. Minta! Assim você só diz o que todos querem ouvir. Massageie o ego – próprio e o alheio.  Dispa-se de princípios, estão fora de moda. Seja imediatista e superficial. Aprofundar-se muito é sinônimo de compromisso, não é isso que você quer, não é verdade? Compre muito. Não valorize os sentimentos. Diga eu te amo a qualquer um. Isso já não significa nada mesmo. Gaste água, queime qualquer coisa. Brinque com as almas, chame-as para dançar. Faça o que quiser e faça agora. Não é necessário preocupar-se com as conseqüências. Afinal, você será esquecido de qualquer maneira.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Eu Xingaria o Papa

Eu xingaria o papa. Puta cara folgado! Sentado o dia inteiro em alguma cadeira com arabescos coloniais em madeira e almofada de veludo fingindo ser um mensageiro do Divino. Deus deve se envergonhar do papa e de todos que sonham em beijar-lhe a mão enrugada. Observando por entre as nuvens com a sua visão de altíssima definição, uma infinidade de gente ao redor de um senhor que depois de passar uns bons dias enclausurado com outros senhores - e alguns meninos (infame!) - foi eleito por uma fumaça, a Sua Santidade. Olha o absurdo! Se o tal sujeito fosse mesmo um indivíduo sacrossanto teria a honra de ser eleito pelo chefe e não pelos pares.

Mas voltando ao assunto, acho que o “vai tomar no cú” mais encorpado e volumoso que minha boca poderia proferir seria para o papa. Não que eu tenha alguma aversão religiosa. Não! Nada disso. Não sofro de teofobia – aliás, acho essa mania de colocar o sufixo fobia em qualquer frescura é um sintoma de hipocondria coletiva. O problema é com o velho e todos aqueles anciões que passaram a vida inteira internados e acham que podem dizer ao mundo o que ele deve fazer. Mas o papa é, em especial, irritante. Eu até gostava do outro, era um velhinho simpático. Mas esse, não dá. Talvez eu tenha sido influenciado pelo passado nazi dele, mas também ele não faz nada pra mudar isso!

Quer saber? É isso. O papa me irrita e eu gritaria um grande foda-se pra ele. Peço desculpas aos seus fãs mas eu tenho esse direito. O direito de desvergonhar Deus.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Frases Comentadas Parte 8

"Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado".
                                              Por uma vida melhor -  Livro distribuído a 4.236 escolas do país pelo MEC.




Fogo cruzado entre a opinião pública e os poucos defensores do tal livro distribuído pela rede de ensino deste letrado país. Há certo fundamento quando a defesa alega que é preciso respeitar os termos coloquiais de nossa língua. Concordo, em partes. Li e logo depois sorri, como não haveria de ser de outra maneira, uma declaração que dizia algo como "não se pode julgar uma pessoa pelos seus erros e acertos linguísticos". Me perguntei: Como não!? 


Falar e escrever errado não pode ser considerado normal. A comunicação, seja qual for sua forma, é feita de clareza. Pintou ruído? Fudeu. Gramática, ortografia; regras precisam ser aprendidas para só depois serem quebradas com a propriedade de quem raciocina o suficiente para questionar. Agora me digam, se é possível um garoto em formação distinguir entre o certo, o errado e o aceitável numa sentença gravada num livro didático. 


No fundo entendi o que os autores pretendiam. "Debater o uso da variação linguística para ressaltar o papel e a importância da norma culta no mundo letrado". Ok, abordagem interessante. Mas se esqueceram de puxar da memória onde moram e como é precário o nosso ensino. Crianças na quinta série sequer interpretam um texto simples sem dificuldades. Para que esse debate pudesse acontecer, teríamos que estar no mínimo em 2030. 

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Bobagem!

Bobagem! Bobagem! Bobagem! Tudo o que todo mundo lê, ouve ou vê por aí, agora é bobagem. A chance de alguma coisa fazer sentido é mínima frente à resistência em considerar que a opinião do outro pode ser, sim, válida. Concordo com vocês chorões que a vida está difícil e que não se pode confiar em qualquer ladainha solta aos quatro ventos por aí. Mas espere. Daí eleger dois ou três gurus e seguir de maneira religiosamente fiel as suas sábias palavras já é demais. É contraditório. Com esse mar de gente querendo se expressar, vocês recorrem ao velho testamento, digo, pensamento? 

É preciso destreza e inteligência para aproveitar o mundo. Porque hoje, on ou off, ele é um só. E as opiniões, escritas ou da boca, também são as mesmas. E por onde pegar os falsos pensadores? Como desmascarar os falsos profetas do mundo moderno? Dizê-lo-ei. Pelo argumento meus amigos! Pelo argumento! Quem falou, por onde, como. Nada disso importa. O que diferencia uma informação útil de uma bogagem é o argumento.

O que é pra você esse texto? Bobagem?
Que seja.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

My Generation Mulamba

A minha geração está meio estranha. Não sei dizer ao certo o que me incomoda nos meus "iguais". Algumas coisas saltam aos olhos, que se atentos, observam um festival de contradições. São coisas da idade, mas convenhamos, há certo exagero. É impressionante a quantidade de gênios da minha geração. Como todos, incompreendidos, desabafam seu descontentamento com a sociedade, com o coleguinha de trabalho que ele tanto odeia e com  todos os ignorantes imprestáveis que insistem em migrar do Orkut para o Facebook.

Ó Santo Zuckerberg, salvai-nos da mediocridade das almas que não sabem usar as redes sociais! Uma questão de assaz importância para a humanidade. Enquanto alguns covardes lutam suas lutas desplugados, nós, os reais revolucionários estaremos sempre a postos caso um TT que não mereça destaque entre na gabaritada lista de tendências. Temos que lutar contra a utilização vazia e despretenciosa dos nossos tão amados mecanismos de comunicação da internet.

Tanta autoridade no julgamento do nível intelectual do outro se deve ao já citado estado de genialidade da minha geração. Os intelectuais estão espalhados pelas timelines de todo o mundo, discorrendo sobre assuntos que emergem como bolhas de um caldeirão chamado Cultura Pop. Almas sem salvação vagam dividindo a opinião pública, mas não os gênios, os gênios são diferentes. Justin Bieber, BBB e seus seguidores são fulminados sem piedade, palavras de maldição são jogadas contra aqueles que cospem na cara de Andy Wharol e Tarantino. "Hereges! Hereges!" chingam os gênios quase sem fôlego de tanta velocidade empregada ao teclar.

Minha geração. Que orgulho de #fazerparte!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

É privilégio

Constantemente sinto uma sensação indescritível de privilégio. Aquele vento que bate na face e gruda a roupa ao corpo, ao mesmo tempo em que diz algo na língua dos ventos, mas que se pode entender. Andando por uma calçada de mosaicos monocromáticos percebo o lugar, as pessoas e suas atitudes. Nada passa despercebido. Caminho por uma terra de vanguarda e astúcia. Onde o medo do ridículo não aflige a arte. O ridículo, aliás, faz parte da tentativa do genial. É um risco que se corre, e que eu e muitos topamos pagar. Ao fim das caminhadas distantes mas compensatórias, sempre me deparo com o novo, o velho, os dois. E a fascinação de presenciar, ali, tão perto, a junção dos tempos verbais, é plena. Era. É. Será. Tudo em um só lugar. Orgulha-me saber que independente da corrente ou da forma de expressão, há e em abundância, aqui e agora, a mais fina produção artística, nascida do mais puro talento e da mais corajosa audácia que o homem pode alcançar.


Coragem é o que falta para quem não vê isso tudo. Quem não enxerga beleza no rústico ou não valoriza o sofisticado por nu preconceito. Não se trata de uma guerra de classes artísticas. Trata-se da sobrevivência intelectual humana. Não importa quem ou como, ou por que. Importa a motivação, o sentimento de se fazer arte. De coração. O dinheiro? Bom. Vive-se sem ele? Então não julguemos quanto vale a arte. Aplaudamos quem a valoriza, pagando muito ou não. A inteligência do mundo está na arte. E a arte está aonde? Diga-me você.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Engraçado como são genéricos os sentimentos

Quem nunca antes não se deparou com algum trecho de algum livro escrito no século passado que parecia estar falando direta e exclusivamente contigo? Quem nunca escutou uma música cuja letra e melodia parecem encaixar-se na sua vida como se tivesse você sido a fonte de inspiração de alguém que nunca o conheceu? Alguns podem culpar a falta de originalidade. Mas eu, particularmente, aposto na qualidade genérica dos sentimentos. Passa o tempo, mudam as pessoas e eles continuam os mesmos. A vida se mostra como um grande roteiro de cinema, onde cada personagem enfrenta conflitos internos e externos que o fazem evoluir, rir ou chorar, crescer ou definhar. E como dizem, a vida imita a arte. Amores impossíveis, empregos perdidos, amizades destruídas, sucesso, fracasso. Tudo isso gera os mesmos sentimentos, as mesmas lágrimas e as mesmas gargalhadas que nenhuma pessoa até hoje aprendeu a controlar. Controle, aliás, é um sentimento, e dos mais genéricos. Digo porque. Todos acham que podem controlar suas vidas, seus pensamentos, suas atitudes. Mas não. Somos guiados, conduzidos a força extraordinária por lindos e escrotos, os genéricos e inconsequentes...sentimentos. Quer um conselho? Deixe estar.

domingo, 7 de novembro de 2010

Não adianta

Não adianta ter agasalho se faz calor
Não adianta ter remédio e não ter dor
Não adianta se aconselhar com quem nunca acertou

Não adianta andar sem caminho
Não adianta a flor sem o espinho
Não adianta o medo se nada o assustou

Não adianta a fé quando se pode ver
Não adianta o livro sem saber ler
Não adianta o mar se não tenho você

Não adianta ser perfeito se não há perfeição
Não adianta o mundo diante da solidão
Não adianta, já lhe aviso de antemão

Não adianta ganhar se a vontade é perder
Não adianta mudar se a mudança não se vê
Não adianta ser forte se a saudade vencer

Não adianta lembrar se a lembrança já foi
Não adianta falar o que não querem ouvir
Não adianta guardar o que se quer exprimir

Não adiantam declarações musicadas
Não adiantam poemas e cartas
Não adiantam palavras de contos de fadas
Não adiantam. Ainda

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Estranhamente à vontade

Energia, química, física, sei lá. Algumas pessoas são ligadas à outras de uma forma enigmática e completamente sem explicação. Não sei se algum acadêmico insano já se propôs a estudar o caso. Também não fiquei ciente se o mesmo teve a ousadia de nomear este insólito fenômeno. As causas e os porquês não são preocupantes. Agora, o que me faz meditar de modo tão curioso e infantil (no bom sentido) é o instante em que se percebe estar participando de uma cena onde dois indivíduos que nunca tinham se deparado em lugar algum desta úmida atmosféra sentem-se "estranhamente à vontade" numa conversa noturna que servira de preâmbulo para uma curta, porém agradável noite de sono. Há algum motivo? Há alguma predestinação? Não sei. Quem saberá? O certo é que em dias de total hegemonia da impessoalidade, é gratificante encontrar alguém que não limite-se a conversar sobre as condições metereológicas de um dia cinza e sem graça. Não importa no que resultará - ou resultou - este casual e inesquecível encontro. O que realmente importa é saber que você participou de um ponto único no espaço e no tempo. Sorria para o acaso, às vezes ele sorri para você.

domingo, 17 de outubro de 2010

Reflexões de um domingo à noite

O que mais teme um homem que o ato singelo da decisão? Claro que adjetivar o verbo decidir de singelo é pura ironia. A escolha de um caminho geralmente é acompanhada de variáveis que nem sempre podem ser numeradas. Ser ou não ser. Ir ou não ir. Beijar ou não beijar. Parece simples, parece fácil, mas as possíveis consequências inóspitas fazem da mente, alma e coração, o inferno pontual de cada escolha, trazendo um odioso medo do que pode acontecer. E que impiedosamente tira a doce vontade de realmente saber o que virá. Não trata-se de uma ciência exata, não há certezas. Nada é só certo ou errado. Talvez por isso a existência de um receio crônico do que está por vir. Estamos aqui para isso, viver. Amanhã não importa hoje. E hoje não importará amanhã. Somos um livro escrito sem a chance de apagar erros de concordância e coesão e que a cada página revela mistérios, amores e desilusões que uma boa trama exige. E é esse o acento agudo que sonoriza a vida, a nua sinceridade de ser quem se é.

domingo, 26 de setembro de 2010

Frases Comentadas Parte 7

"Que siga crescendo a avalanche de votos. (...) Há um bonito dia. Vamos, que a pátria espera"
                                                Hugo Chávez - Presidente da Venezuela




As orações acima foram tuitadas pelo segundo astro pop da política mundial, Hugo Chávez. Creio que não haja dúvidas sobre quem ocupa o primeiro posto. O cenário na Venezuela é de eleições legislativas e muita, mas muita desconfiança. A oposição venezuelana e o mundo temem a intervenção de Chávez no processo eleitoral, não dando chance aos adversários, e principalmente à democracia. Porém não se sabe exatamente o que se passa pela insana mente do líder bolivariano. A decisão de fraudar as eleições poderia ser um tiro no dedão do pé direito se essa ação fosse comprovada. Mas enfim, onde eu queria chegar com essa história toda? Na verdade, dei-me conta de que o voto é uma aposta em qualquer lugar do mundo. Onde se pode confiar no processo eleitoral não se pode confiar nos candidatos, e o mesmo acontece ao inverso ou ao mesmo tempo. Não confiar nem no poder das urnas, nem nos pretendentes a postular os tão sonhados cargos públicos realmente deve ser uma tristeza (maior que a tristeza tupiniquim). Mas como disse Chávez: "Vamos, que a pátria espera".  
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