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segunda-feira, 21 de junho de 2010

O nosso Woodstock

Se você pudesse voltar no tempo e escolher um único acontecimento para vivenciar, qual seria? Muitos responderiam sem nenhuma dúvida que gostariam de estar no Festival de Woodstock. E não é pra menos. A primeira edição aconteceu em 1969 e reuniu mais de meio milhão de pessoas. O evento tomou proporções gigantescas, e reza a lenda que por causa do festival a principal rodovia do estado de Nova Iorque foi bloqueada pela multidão que se dirigia à cidade de Bethel, local escolhido para abrigar esse histórico movimento pela paz, contracultura e música em meados dos anos 60.
Voltar àquele lendário agosto de 1969 é impossível. Mas e se houvesse uma reedição do Festival de Woodstock? Legal, não é? E se por ventura essa reedição acontecesse aqui no Brasil? É isso que os grupos Totalcom e The Groove Concept estão realizando. O desafio é grande, o momento é outro, mas o espírito de conscientização e preocupação com o mundo prometem permanecer nas raízes do Festival. Além de atrações musicais, a organização do evento promete exposições e mostras de artes ligadas ao tema sustentabilidade, além de um fórum que também discutirá questões sócio-ambientais. O festival terá o nome de Stars With You – SWU/Woodstock e acontecerá entre o dias 9 e 11 de outubro deste ano. O local escolhido foi a Fazenda Maeda, em Itu, que fica a cerca de 70 km de São Paulo. O público já pode comemorar as presenças de Linkin Park, Dave Matthews Band, Pixies e Incubus, confirmados pela organização. A divulgação do festival tem como lema “SWU – Começa com você” e procura conscientizar o público para o tema do evento.
Há quem critique a iniciativa dizendo que o real objetivo dos organizadores é obter lucro ás custas de um mote que hoje em dia está em moda, a sustentabilidade. Claro que o retorno financeiro é esperado, porém o público deve comemorar a chance de participar de um evento que reunirá artistas importantes da música nacional e internacional e, além disso, o colocará em contato com um movimento contemporâneo de artes plásticas ligadas a um tema essencial para o planeta. E além de todo o argumento de sensibilização e engajamento do público, o SWU promete ser inesquecível tanto para aqueles que já presenciaram grandes festivais num passado não muito distante, quanto para aqueles que irão neste tipo de evento pela primeira vez. Boa música e cultura não irão faltar. Bom divertimento!

sábado, 30 de maio de 2009

Nós não percebemos, mas ela já não é tão fascinante assim.


Ontem por qualquer motivo, fui colocado a frente de uma obra de arte. Conhecida pelo mundo como uma das maiores de todos os tempos. E eu, um mero rapaz conteporâneo do século XXI não possuia a menor noção do seu teor de genialidade e emoção, me deixando completamente perplexo e rendido, como se estivesse visto qualquer coisa assustadora demais para me paralisar. Era a Nona Sinfonia de Ludwig Van Beethoven. 

 

Essa experiência me levou a uma série de reflexões sobre a música. Reflexões que tiveram constatações catastróficas, algumas já conhecidas, outras esperadas. O resumo da ópera é que a minha geração e provavelmente a sua, foi tomada por uma ignorância musical sem precedentes. Não precisamos ser historiadores ou grandes maestros para constatar que ao contrário de outras áreas, a música teve uma enorme pausa na sua evolução no final do século XX. Não satisfeitos, os responsáveis pelas expressões musicais atuais iniciaram uma queda livre desesperadora de criativadade e qualidade. Não falo de estilos. Não se pode comparar música erudita, com jazz, rock n' roll, ou um partido alto. Cada estilo nasce de verdades diferentes e seguem caminhos distintos. O que julgo é a mediocridade de quem hoje é idolatrado por fazer "música", mas que no fim das contas é um simples ignorante, e não sabe ao menos o que é um diapasão. Nós, apreciadores, ouvintes, seja lá qual for a nomeclatura, mas que apenas gostamos de música não temos esta obrigação, mas quem vive dela tem.

 

Não era a intenção no começo do post, mas vi que seria inevitável não dar nome aos bois. A música deixou de ser uma expressão artística, algo que nascia de um sentimento, de um ideal. Passou a ser mercadoria. Artistas mundialmente conhecidos, hoje não passam de uma minuciosa seleção de casting. Jonas Brothers, Britney Spears, Spice Girls e BackStreetBoys, são personificações do que hoje faz sucesso. A música virou moeda, e das mais valorizadas. O verdadeiro músico, sem os mesmos potenciais estéticos dos integrantes dos grupos citados anteriormente, fica atrás do palco, seu talento é roubado descaradamente e transferido a outra pessoa. Ele não reclama porque é isso que o mantém fazendo o que ama. Ele aceita ser coadjuvante, mesmo sabendo ser o protagonista. Vivo me perguntando: Quando essa terrível tendência nasceu? Não sei. Mas, pense em Michael Jackson. Ele tinha uma escola musical fantástica, o soul music, um estilo que esbanja talentos como James Brown e sua trupe por exemplo. Porém qual é o título de orgulho do nosso bicolor Michael? O Rei do Pop.

Onde quero chegar?

Isso é a síntese do que aconteceu com a música. A essência, o talento, o dom, não são mais valorizados e o que vale agora é a imagem, o ícone.

E tudo isso é como uma doença terminal. Vai consumindo a música, o que ela é, o que ela foi. 

Coloquei aqui o trecho do filme "O Segredo de Beethoven", para que vocês ouçam com seus próprios ouvidos o que estou tentando dizer. Beethoven praticamente iniciou o período Romantico na música erudita, e como todo artista romântico ele defendia a liberdade de expressão, a sinceridade na arte. E isso é notável neste vídeo, que, mesmo sendo uma interpretação ficcional, sentimos que a música é sincera, que foi uma criação carinhosamente elaborada, e executada pelo autor enquanto lhe restava forças. Mas infelizmente a sinceridade na música não é notada, atualmente boa parte do mundo não tem essa sensibilidade. Mas a cada dia fica mais fácil de perceber quem ama a música e quem apenas trabalha com ela. Pois é complicado acreditar na sinceridade da música dos Inimigos da HP quando se lembra de Cartola, que se foi sem nenhum centavo no bolso e cantando até seus últimos suspiros os sambas seus sambas mais sinceros. 

 

Os vídeos. Compare e Comprove:

 




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Indústria Fonográfica e suas peculiariedades


Muito se discute sobre o tempo de vida da indústria fonográfica. Uns dizem que ela já acabou, outros que está indo a falência, e há quem diga que ela ainda tem muito o que ganhar pelo mundo a fora. Isso só quem poderá responder é a própria indústria fonográfica. O que se pode concluir é que, se a indústria não está acabando, a qualidade com certeza está. As pessoas aprenderam bizonhamente a desgostar de música. Parece que tudo o que tem o mínimo de qualidade é imediatamente rejeitado pela grande massa. Mas o que fez isso acontecer?


Até onde posso me lembrar este desastre, pelo menos no Brasil, começou com um grupo chamado É o Tchan. Aquelas pessoas fizeram um sucesso incrível em um período relâmpago, empurrados pela legião de fãs conquistados em sua terra natal, a Bahia. A mistura da batida do Axé, das letras de conotação sexual e das duas dançarinas também com uma conotação traseira sexualíssima fez com que aquelas "músicas" virassem hits conhecidos por todo o país. Além das gravadoras lhe abrirem as portas, os cainais de TV e rádio foram contaminados com aquilo de tal forma que subconcientemente que até pessoas que não apreciavam aquele tipo de som decoravam as letras. A partir de então, as gravadoras tiveram um estralo, e viram que ali nascia uma mina de ouro. A fórmula era simples, "músicas" repetitivas e com duplo sentido + dançarinas gostosas, uma loira outra morena + batidas dançantes + programas televisivos dominicais = sucesso! E a fórmula foi repetida dando origem a outros muitos grupos idênticos ao precursor É o Tchan.


Mas como tudo que é bom dura pouco, o Axé barato ficou quase 10 anos nas paradas de sucesso, sustentados pelas vendas de CD e Shows sempre lotados. Após este período as gravadoras viram que o fenômeno bahiano estava perdendo força e tinha que buscar outra fórmula para poder lucrar. Eis que surge outro fenômeno, o Funk. Mudando o ritmo, aumentando a quantidade de dançarinas gostosas e colocando mais putaria nas letras eles conseguiram de novo empurrar outra montanha de porcaria nos nossos ouvidos. O que não faz um upgrade!?


E então eles foram surpreendidos! A internet chegou como um trator para cima das gravadoras. Tantos profissionais competentes, tantos anos de tradição, tantos astros lançados e ninguém, ninguém previu a Internet! De repente os CDs viraram estoque, o Faustão não dava mais disco de platina pra mais ninguém, os downloads gratuitos se espalhando como uma praga e além disso a pirataria espandida pela facilidade de conseguir toda e qualquer música pela web. Hoje as gravadoras estão correndo atrás do prejuízo e partiram para cima dos artistas sem escrúpulos. Estão exigindo porcentagem do cachê pago nos shows ao vivo, cortaram custos de divulgação dos CDs lançados e não investem mais em novos talentos. Uma atitude suicida na minha opinião. Do contrário do que fizeram o certo seria planejar o futuro e conquistar fãs fiéis e duradouros. Adimiradores do funk e axé não são consumidores potenciais a longo prazo. Artistas como Marisa Monte, Chitãozinho e Xororó, Paralamas do Sucesso, Skank, Titãs, Zeca Pagodinho, Ira e etc, que prezam pela qualidade de sua música independente do estilo, tem fãs incondicionais, carreiras longas sustentadas por eles e que levam consigo a força de uma imagem construida durante anos. Há milhares de oportunidades de negócio para este tipo de artista. Se a gravadora confeccionar suviniers, promoções, álbuns on line e outros artigos com os rostos ou nomes destes grupos terá resultados garantidos. Mas infelizmente a tão aclamada indústria fonográfica não está sabendo lidar com essa sua crise interminável. Continua se prendendo a MC não sei o que, a bandas de letras totalmente comerciais e facilmente decoráveis, e sambas de condomínio.


O que eu ainda espero ver é o renascimento da música, com a volta da poesia nas letras, dos arranjas criativos, da autenticidade na atitude dos artistas, a volta dos músicos de verdade, e finamente a volta do bom gosto!
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