terça-feira, 8 de novembro de 2011

Acordem barbados!


Sei que não tenho nada a ver com isso - e nem venha tentar me convencer de que tenho. Mas é que fiquei muito encabulado com essa história toda. Analisemos o cenário e seus personagens. O local sacrossanto do livre pensamento é ferido pela presença de autoridades odiadas pelo futuro da nação, mas que dias antes tiveram seus serviços solicitados de joelhos pelo senhor reitor, acatando reivindicação dos frequentadores do ambiente. Frequentadores estes que tinham razão em querer não levar uma bala na cabeça ou ser uma vítima do ainda não inventado maníaco da Cidade Universitária. A coisa estava tão tensa que a rapaziada resolveu dar uma relaxada. Coisa pouca. Opa! Peraí! Cadê a minha liberdade agora? Apagaram com o coturno.

O futuro da nação não gostou nada disso, e viu nesse factoide a perfeita oportunidade de seguir as tendências mundiais. Como assim, somos jovens em um país desigual e não lutamos por nada?! Que absurdo, que injúria! Brigaremos então pelos alunos repreendidos pelos malévolos homens da lei. Falando em lei, gostaria de lembrar que que ela existe. Longe do pensamento fundamentalista, acho saudável quebrar regras e até leis de vez em quando. Eu mesmo o faço. Claro que não contarei quando e como. Sabe por quê? Simples. Por causa das consequências. Faço errado e sei disso. Não tento convencer o mundo do contrário.

Moralismos à parte, ética e bom senso à parte, a bula do simancol à parte, o que está mesmo faltando ao futuro da nação é uma boa dose de realidade. Matéria que deveria ser incluída na Fuvest do ano que surge. Quem sabe assim as caras metidas em Foucault e Marx olhem para o mundo aqui fora e possam finalmente exercer a intelectualidade com o mínimo de discernimento e um pouco menos de paixonite aguda pelo suposto poder de poder qualquer coisa. Quem mais sai perdendo com essa zona toda é o meu, o seu e o futuro deles; o futuro da porra da nação.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Melhor Assim

Viver é simples e involuntário. Respirar é a prova disso. Dominar as ações é praticamente impossível, teoricamente utópico. Os desejos corroem as entranhas até que sejam saciados, expurgados do corpo e da alma como o diabo na exorcismação. E isso tira toda e qualquer possibilidade de domínio sobre a vida e seus elementos.

Milênios nos desafiam e riem de nós, soltam gargalhadas titânicas. Tudo porque, ingênuos, não temos ínfima noção do que estamos fazendo neste mundo. É desaconselhável refletir em demasia sobre a questão. A história prova que muitos tentaram, mas quedaram diante da loucura. Se fosse o destino de tal mistério ser compreendido, já o teríamos feito. É disso que debocham os milênios.

Tentativas mais coerentes e saudáveis são as que procuram decodificar pequeninos problemas. Mínimos diante da grandeza da humanidade. Problemas de amor, de necessidade, de egoísmo, de ódio, de amor. Pois cada um de nós tem situações suficientes para gastar seus dias. Prefiro não descobrir a que vim, para não saber que fracassei.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Ode à Amizade

Selo nossa amizade com lágrimas no teu ombro.
Uma maneira infantil, mas sincera ao extremo.
Finalmente me conheceste e eu a ti.
Confio a minha devoção à memoria da sua compreensão.

Entre nós já não há esconderijos, já que de verdade
Me virei ao avesso de forma irrepreensível.
Sou muito além do que digo ser
E posso menos do que julgo poder.

Posso, pelo menos, jurar que não há preço
Argumento ou contexto
Que faça me esquecer do teu gesto.
Está guardado para sempre teu afago
Só o que tenho a dizer é:
Muito obrigado.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

De Levante


Parece uma grande esteira automática rolante cercada de neblina e comigo a tiracolo. Acelerar o passo me desequilibra. Contê-lo não funciona. Vivo ao sabor da esteira. Ela me leva, eu não reclamo. Assim vamos, juntos. Eu e a esteira. Nunca perguntei aonde ela dá. Nem sei se minha companheira tem um final. Confio nela, mas não deveria. Afinal, para o que ela me leva?

Sem poder ver alguns metros a frente, achei de bom gosto abandonar a razão. Pensar é só um passatempo. Sentir é uma condenação. Ela, a esteira, decidiu assim. Ela me leva, eu não questiono. O que mais poderia ser assim tão intenso? Se eu é que levasse a esteira? Impossível. Pouco atraente inclusive. Cairia no erro mais primário: confiar em minhas convicções.

Estar convicto é deleite passageiro. Como tudo o que é bom e ruim. Permanente mesmo é a esteira. Que nem é boa e nem ruim. Ela é o que quero que ela seja. Até porque nunca pensei em que raios ela é de verdade.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Se Sou Orgulhoso?

Se sou orgulhoso?
É claro que não!
Onde já se viu?
Dizer que estou errado.
Meu orgulho guardo no bolso.
Pra ficar mais fácil de usar.
Até que sou um bom moço.
Só não ouse me contrariar.
Sei tudo do nada.
Sei nada de tudo.
Ou seria ao contrário?
Contrário ao meu orgulho.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Afã

Fanatismo é uma palavra assustadora. Sinto algo parecido com claustrofobia - não sei dizer exatamente o que é - quando ouço ou leio esse verbete. Fico ainda mais aterrorizado com o apócope "fã". Ô coisinha minúscula e destruidora!

Quando alguém me diz que é fã de alguém, me preparo para uma tempestade passional de elogios e frases carinhosas. Nada de errado nisso. A não ser pelo fato de que o agraciado pelos afagos verbais não tem a mínima noção sequer de quais são as iniciais do seu admirador. As partes nunca se encontraram, e possivelmente nunca se encontrarão. Mas por alguns estímulos de ordem midiática, surge uma paixão unilateral. E o fã, coitado, prende-se na perfeição do ídolo. Quer ser igual. "...ou parecido. Já serve...".

O problema é que ídolos também são fãs. Assim o efeito dominó é desencadeado, encadeando cada vez mais as pessoas. Um é fã de outro que é ídolo de um. Mas sem drama eu compreendo tudo. Sejamos fãs de qualquer um, menos de nós mesmos. Porque de autogênios o mundo já está farto. Como dizia meu ídolo Fernando Pessoa: "...E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não podem haver tantos", não é verdade?


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Logo Seca

Compreensão é dádiva escasseada nesse nosso mundo.
Não por falta de tentativas, tão pouco por excesso delas.
É que muito do que há e do que é
Foi feito para não compreender.
Nem desvendar, nem decifrar, nem entender.
Nem matutar, nem ganhar, nem perder.
Há coisa que há por haver.
Que é por ser.

Pede o perdão que já ali gastará em outro erro.
Percorre com passos medrosos o caminho que não conhece.
Mas já lá adiante sente como chão amigo.

Adianta afagar-te agora? Nessa maldita hora. Maldita por ser?
Vale lembrar-te que agora choras, mas que já já volta tua alegria de viver?
Nem ouso rabiscar resposta para o inquestionável mistério.
Procuro somente sentar-me ao seu lado à varanda
Balançando pensamentos
E sentir o vento
Secador de rostos úmidos.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Eu e Meus Poderes

Céus, como desejei ter poderes mágicos. Caçoar dos alquimistas por nunca conseguirem o que eu conseguiria. Transformar, teletransportar, desaparecer. Era tudo o que eu queria. Contudo, entendo as razões de não nos serem dignas tais facetas. Imagine só o que não fariam os cleptomaníacos, os tarados e os depressivos? Talvez não existisse mais a posse das coisas, nem castidade e muito menos depressivos. Mesmo eu não sei confiar-lhes como lidaria com meus instintos anti-éticos e imorais. Pense bem. Que possibilidades!

Supondo que houvesse uma regulamentação para o uso dos poderes, eu já abdicaria de tê-los. Fujo de regras. Além do quê, o bacana de se ter poderes é abusar. Exibir-se para milhares de olhos crédulos e ouvir ruídos onomatopéicos ao ver-me transformar, de repente, água em cerveja. Seria lindo, épico. E uma baita festa. Transformaria as figuras indesejadas em artigos decorativos, estátuas de cera, balas de canhão do século passado. Ou simplesmente me teletransportaria para outra festa, em algum lugar quente abaixo da Linha do Equador.  

Por essas e outras é que nós, os homens, não temos poderes. Temos deveres.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

De Domingo a Domingo

Encosta-te em mim, aqui juntinho
Sem medo, que eu não ataco sem avisar
Seu tecido no meu tecido
Faz vincos de você sem parar

Deita-te sobre mim
Toca seu nariz no meu
Corre tua mão em meus braços
Já debaixo dos panos

Levanta-te devagar sem pressa do mundo acabar
Que nada há lá fora que valha
O tempo que tenho para te gastar

Chama-me à cozinha gritando para fazer-lhe companhia
E a noite baixinho ao pé do meu ouvido
Que vou às ordens submisso, de domingo a domingo




terça-feira, 9 de agosto de 2011

Nada Faz Sentido

Entenda como quiser a aquilo que não faz sentido. Procurar sentido demora e desgasta. E nem ao menos o consolo de se poder achá-lo se tem. É comum que as coisas saiam de controle, que elas saltem serelepes para longe do alcance dos braços, para onde a voz não chega, livres de qualquer repreensão. Conformei-me com isso. E não o fiz agora. Há tempos entendi que sou mero instrumento. De cordas, de percussão, de sopro, de tudo. E o que sai é música que não preserva estilo. Da melancolia do tango à alegria desenfreada de um samba de carnaval. Depende se estou de cordas ou de sopro ou de percussão. E quem me toca? Sei que vibro e ressoo o que a pauta ao meu redor conduz. Nas mais diferentes claves, nas mais ricas melodias. Vivo as pausas. Vivo as notas. Semibreves. Não quero fazer sentido. Desejo apenas ecoar suavemente em seus ouvidos.
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