segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Eu gostaria de ser...

Sempre me pergunto: Por que somos quem somos? Quem afinal decidiu colocar nossa personalidade num determinado corpo, para sermos filhos de determinadas pessoas e viver determinada vida? Me questiono quanto a razão de ter nascido onde nasci, na época que nasci. Suspeito que essas são só algumas das milhares de perguntas sem respostas que cada ser humano tem em estoque na mente. Mas se não conseguimos respondê-las, podemos no mínimo enfrentá-las. O que te prende ao lugar onde vive e ao emprego que tem? É só uma questão de interpretação. É se entender que nós não "somos" nada. Nós "estamos" sempre.

Ninguém "é" feliz. Fica-se feliz. Não há pessoas tristes. Existem, apenas, pessoas que "ficam" viciadas na tristeza. Felizmente, quem quer que seja, nos colocou num lugar onde podemos crescer, pensar, expressar e evoluir. Nascer não é uma forma de condenação. O destino tem dois finais para tudo, que dependerão das escolhas feitas. Como dizia alguém que não me lembro a graça, "não escolher já é uma escolha".

Se eu gostaria de ser, já me limitei a gostar com certa condição. Gosto e pronto. Algo errado nisso? Definitivamente não. Correr atrás do que se gosta, se ama, não é o ideal. Correto mesmo é correr ao lado, pra não deixar o sonho fugir. Desprender-se de dogmas, paradigmas que não sabemos nem mesmo de onde surgiram é o grande feito pra quem quer realmente estar feliz com o que faz, com quem está e com o que ainda deseja, por muito tempo.

Só digo uma coisa. Pensar duas vezes, às vezes, são vezes demais.

sábado, 22 de agosto de 2009

_Tive uma ideia!

_E qual é ela?
_Há um programa da TV palestina que faria muito sucesso no Brasil. Podíamos comprar os direitos e adaptá-lo pra nossa realidade. O que acha?
_Mas como é esse programa? De certo é um reallity show, não?
_Sim! Como descobriu?
_Intuição.
_Enfim, são 12 pessoas convivendo em uma caverna, e semanalmente um dos participantes é eliminado após eleição do próprio grupo e escolha do público. Os escolhidos pelo grupo são chamados de homem-bomba e o eliminado pelo público é explodido no programa.
_Mais que absurdo é esse? Como você adaptaria isso para o Brasil?
_É só escolher senadores para o casting.
_Boa! Vamos ligar para a TV Senado. Eles estão muito eficázes na sua programação.
_E o melhor de tudo é que nas edições posteriores podemos variar os participantes, usando deputados, depois governadores, depois prefeitos e finalmente vereadores.
_E se o povo gostar tanto ao ponto de pedir mais? O que usaremos depois dos vereadores?
_Hum... Argentinos talvez?

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Se a Terra parasse de girar

DE UM LADO

Após 7 horas e meia de trabalho a luz que entra pelas janelas do escritório não sofre qualquer alteração de intensidade. De repente dá-se conta de que já devia ter anoitecido e que o pôr do sol não deu o ar da graça. É estranho. O horário de verão está longe de seu começo e fim. A chefia levanta a tese de que os relógios estão errados e ordena que todos permaneçam trabalhando.
Depois de mais 2 horas aproximadamente a movimentação de saída já é grande, todos ignoram a claridade de meio dia e batem em retirada para suas casas. Em seus caminhos refletem sobre o que está acontecendo, elaborando teorias, alucinando. Quando chegam em seus lares encontram na TV comentaristas discorrendo sobre o que não fazem a menor idéia do porquê. No fim das contas pelo menos ficamos com o dia, onde a escuridão pode ser construida.


DO OUTRO LADO

O relógio desperta. São 6 e 30 da manhã, olha-se pela janela em busca do feiche de luz custumeiro da aurora, mas estranhamente ele não está lá. A dúvida faz pensar que talvez o tempo esteja ruim e que há nuvens carregadas no ceú. Ao levantar todos esperam o nascer do sol, e por volta das 11 horas já comenta-se que seja um eclipse inesperado. Uma nova descoberta? Acho que não. No segundo dia casas noturnas estendem seu turno. Nos meses seguintes estuda-se o que fazer com as flora. Há um alento. Ao menos temos mais horas de sono.




domingo, 5 de julho de 2009

Frases Comentadas Parte 4

"Hoje já não existe imaginação, está tudo no Google."
Chico Buarque

Essa frase foi solta na Flip 2009. Chico estava contando sua experiência de sair para campo antes de botar as mãos e o teclado à obra. Lamentava o fato das informações estarem tão facilitadas a ponto de um escritor não precisar sair da própria cadeira para escrever sobre algo que ele nunca viu. Ele está certo. E nós fazemos parte disso. O fato de eu, agora, estar escrevendo sobre a Flip já é uma constatação disso, afinal estou em São Paulo e não em Paraty. Não ei de ser extremista a condenar essa facilidade de encontrar tudo o que se deseja com apenas alguns caracteres e cliques, mas temos que repensar sobre todas as possibilidades e experiências que o mundo fora do HD pode nos oferecer. As idéias nascem de sentimentos e sensações. É preciso estar para ser original.

sábado, 27 de junho de 2009

Santidade através do óbito



O que realmente somos está guardado a sete chaves e nem mesmo nós sabemos tudo o que escondemos. Talvez fosse isso que incomodasse Michael. Se as acusações de pedofilia, de mudança proposital de seu tom de pele e de maus tratos com seus filhos são verdades ou mentiras, creio que jamais saberemos. E mesmo sem ter o conhecimento do que acontecia nos bastidores de sua vida pessoal, a opinião pública o considerou culpado em seu próprio júri popular. Mas no dia 25 de junho de 2009 o mito morre. E imediatamente inicia-se uma onda de nostalgia. Programas de TV relembrando suas épocas gloriosas, manifestações nas ruas de todo o mundo, críticos ressaltando sua importância no cenário musical, celebridades chorando a partida daquele que já tinha ido, mas ninguém havia notado. Ou seja, todas as acusações e apontamentos negativos sumiram tão subitamente quanto sua alma após o último suspiro.

Michael Jackson é apenas um exemplo do que acontece diariamente por aí. Há condenação em vida e perdão na morte. O famoso jargão "quando morre todo mundo é santo" é a síntese do nosso comportamento, que acho, no mímino estranho. O orgulho das pessoas supera a capacidade de privilegiar os adjetivos positivos ao invés dos negativos. Como se a não-existência apagasse todas as besteiras feitas enquanto se respirava. Não posso também achar que devemos sacrificar os defuntos, mas poderíamos reconhecê-los enquanto podiam nos ouvir.

Não é preciso o Papa para lhe coroar santo, aliás nem ele enquanto está vivo pode se tornar um.

domingo, 21 de junho de 2009

Frases Comentadas Parte 3

"Sou baiano. Eu não penso."
Luiz [cantor da noite paulistana]

Entre um copo e outro, em meio aos hits da música ao vivo dos bares a fora, soou em meus ouvidos a frase acima. Sem mesmo saber os precedentes desta pérola, não me contive e ri. Somente alguns minutos depois comecei a questionar qual seria a justificativa que o autor da oração daria. Num momento de rara reflexão vi que não há justficativa, e na verdade eu tinha presenciado um autopreconceito. Talvez seja esse o pior dos preconceitos, afinal não vejo sentido em justificar a própria incompetência com sua origem. Jorge Amado que o diga.

sábado, 30 de maio de 2009

Nós não percebemos, mas ela já não é tão fascinante assim.


Ontem por qualquer motivo, fui colocado a frente de uma obra de arte. Conhecida pelo mundo como uma das maiores de todos os tempos. E eu, um mero rapaz conteporâneo do século XXI não possuia a menor noção do seu teor de genialidade e emoção, me deixando completamente perplexo e rendido, como se estivesse visto qualquer coisa assustadora demais para me paralisar. Era a Nona Sinfonia de Ludwig Van Beethoven. 

 

Essa experiência me levou a uma série de reflexões sobre a música. Reflexões que tiveram constatações catastróficas, algumas já conhecidas, outras esperadas. O resumo da ópera é que a minha geração e provavelmente a sua, foi tomada por uma ignorância musical sem precedentes. Não precisamos ser historiadores ou grandes maestros para constatar que ao contrário de outras áreas, a música teve uma enorme pausa na sua evolução no final do século XX. Não satisfeitos, os responsáveis pelas expressões musicais atuais iniciaram uma queda livre desesperadora de criativadade e qualidade. Não falo de estilos. Não se pode comparar música erudita, com jazz, rock n' roll, ou um partido alto. Cada estilo nasce de verdades diferentes e seguem caminhos distintos. O que julgo é a mediocridade de quem hoje é idolatrado por fazer "música", mas que no fim das contas é um simples ignorante, e não sabe ao menos o que é um diapasão. Nós, apreciadores, ouvintes, seja lá qual for a nomeclatura, mas que apenas gostamos de música não temos esta obrigação, mas quem vive dela tem.

 

Não era a intenção no começo do post, mas vi que seria inevitável não dar nome aos bois. A música deixou de ser uma expressão artística, algo que nascia de um sentimento, de um ideal. Passou a ser mercadoria. Artistas mundialmente conhecidos, hoje não passam de uma minuciosa seleção de casting. Jonas Brothers, Britney Spears, Spice Girls e BackStreetBoys, são personificações do que hoje faz sucesso. A música virou moeda, e das mais valorizadas. O verdadeiro músico, sem os mesmos potenciais estéticos dos integrantes dos grupos citados anteriormente, fica atrás do palco, seu talento é roubado descaradamente e transferido a outra pessoa. Ele não reclama porque é isso que o mantém fazendo o que ama. Ele aceita ser coadjuvante, mesmo sabendo ser o protagonista. Vivo me perguntando: Quando essa terrível tendência nasceu? Não sei. Mas, pense em Michael Jackson. Ele tinha uma escola musical fantástica, o soul music, um estilo que esbanja talentos como James Brown e sua trupe por exemplo. Porém qual é o título de orgulho do nosso bicolor Michael? O Rei do Pop.

Onde quero chegar?

Isso é a síntese do que aconteceu com a música. A essência, o talento, o dom, não são mais valorizados e o que vale agora é a imagem, o ícone.

E tudo isso é como uma doença terminal. Vai consumindo a música, o que ela é, o que ela foi. 

Coloquei aqui o trecho do filme "O Segredo de Beethoven", para que vocês ouçam com seus próprios ouvidos o que estou tentando dizer. Beethoven praticamente iniciou o período Romantico na música erudita, e como todo artista romântico ele defendia a liberdade de expressão, a sinceridade na arte. E isso é notável neste vídeo, que, mesmo sendo uma interpretação ficcional, sentimos que a música é sincera, que foi uma criação carinhosamente elaborada, e executada pelo autor enquanto lhe restava forças. Mas infelizmente a sinceridade na música não é notada, atualmente boa parte do mundo não tem essa sensibilidade. Mas a cada dia fica mais fácil de perceber quem ama a música e quem apenas trabalha com ela. Pois é complicado acreditar na sinceridade da música dos Inimigos da HP quando se lembra de Cartola, que se foi sem nenhum centavo no bolso e cantando até seus últimos suspiros os sambas seus sambas mais sinceros. 

 

Os vídeos. Compare e Comprove:

 




terça-feira, 12 de maio de 2009

Frases Comentadas Parte 2

"Olha este cooler, olha o tanto de cerveja que cabe nele! E os caras ainda escrevem: 'beba com moderação'."

Adriano Ferrari


Chama-se paradoxo. É exatamente o que acontece nesta situação. Um dos inúmeros que nos deparamos em nossas vidas a fora. Realmente a mente se confunde com essas loucuras programadas pra confrontar os dois lados de nossos cérebros. Frases politicamente corretas estampadas em embalagens de drogas lícitas tem a única função de lavar as mãos de quem continua lucrando com elas. Mercado não falta, e mesmo que o Ministério da Saúde advirta, não há força social ou política que impeça o comportamento de consumir estes produtos. E acredito que não seja essa intenção, porque os interesses financeiros por trás de toda a cadeia envolvida são até mais fortes que o desejo incontrolável do mais iniciante abstêmio.

sábado, 2 de maio de 2009

Frases Comentadas Parte 1

"Do que adianta bluetooth e wi-fi se a gente vai ficar com sede?"
Wendell Souza

Imaginemos a situação. Em 2052 José acorda pela manhã, abre sua janela que dá vista para o mar e vê gigantescas bombas retirando a água do mar e mandando diretamente para os centros purificadores de águas salgadas. Lá ela será embalada, rotulada e vendida a preços mais altos que barris de petróleo nos longínquos anos 2000. Ele se banha, com água do mar claro, e veste-se. Quando anda nas ruas vê transeuntes de pele seca e olhares cansados. Há filas nos estabelecimentos para comprar os já escassos alimentos compactados, mas José está feliz, está sorridente com sua nova aquisição, o mp50, que é a versão evoluída do mp49, agora com a função isqueiro.

domingo, 26 de abril de 2009

Namoradinha do Brasil

Ah! Regina Duarte! Em seus joviais tempos era carinhosamente chamada de "namoradinha do Brasil". Talvez por seu rosto angelical, sempre dando vida a personagens doces e indefesas, objeto da piedade de toda uma nação. Hoje consigo perceber o mesmo fenômeno, claro, com algumas diferenças. Já que os tempos são outros o Brasil chega em sua adolescência cheio de hormônios! Ele, hoje troca de namoradinha a cada ano, ou menos. E não só a rotatividade desse garoto travesso é que aumentou, a ousadia de seus affairs também. Impulsionado pela realização de reality shows, programas cheios de conteúdos anais e pela grande variedade pornoculinária presente hoje no cotidiano de todos nós, nosso pequeno Brasil deixou de lado os antigos requisitos básicos para escolher suas namoradinhas, e hoje leva muito mais em conta as medidas e curvas de suas aventuras.
E nosso pequeno lobo segue feroz pela caça de suas cada vez mais passageiras companheiras. Isso me faz pensar que talvez a programação dentro dos lares brasileiros esteja um tanto quanto tediante. Talvez toda essa simpatia pelo sex appeal midiático seja a causa de se criar tanto fetiche em pessoas que nunca vimos pessoalmente, mas que milhões de pessoas sonham intimamente todas as noites. O matrimônio sucumbiu. Agora há traições platônicas a cada bloco da telenovela.
É, nos tempos de hoje a teoria é que a grama da televisão sempre é mais verde, e que todos que lá trabalham tem vidas exuberantes sem problemas, sem espinhas, com dinheiro, e sempre em busca da fama. Mas talvez o que não vimos por traz das câmeras é a realidade. Os ídolos são de carne e osso e não semi-deuses de porcelana, intocáveis. O que o Brasil, jovem e robusto que é, tem de fazer é se por no seu devido lugar, não se deixar levar por levianas paixões estampadas nas revistas masculinas de todo mês, porque isso tudo nada mais é do que a figuração da zona que fazem do coração do nosso velho menino prodígio. 
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