Proponho um novo pensamento.
Um raciocínio sem direção
Focado em outra dimensão.
A profundidade.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
domingo, 27 de janeiro de 2013
Hora Dela
O melhor que posso ser eu nem sei como é
Mas consigo, ainda sim, me sentir completo
Quando imagino a parte que me falta
Com a cabeça em seu travesseiro
E a saudade entre os pensamentos
Exalando o perfume que costumo sentir ao acordar
Arrepiando a pele que costumo tocar
Quando imagino
Não vejo a hora dela voltar
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Açúcar Demais
A campainha toca e nada faz Fernando pensar que seria melhor atendê-la do que interromper o estranho ritual que pratica todos os dias, para ao fim de um copo vitaminado ter renovada sua perseverança no árduo objetivo de conquistar dois centímetros a mais na protuberância dos braços.
Largou a colher mergulhada num copo de leite, limpou as mãos e o pouco suor da testa com o pano de prato. Pisava duro. Claro. Aprendera a técnica para reforçar a imagem de rato de academia. Pra impor mais respeito apanhou uma banana na penca antes de ir.
Abriu a porta e perguntou para a simpática moça o que aquela câmera fazia ali. A garota, posicionada a frente do camera man, apenas pediu um pouco de açúcar. Que ofensa! "Açúcar? O veneno dos deuses." pensou ele. Retrucou que não tinha o que ela pedira e desconfiado fechou a porta.
Dois meses depois Fernando liga a televisão e vê a moça do açúcar, de biquíni falando algo sobre afinidade. Levantando as sobrancelhas pensou "que coisa". Tomou mais um pouco do shake e foi comprar uma câmera.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Vote nas Meias
Se for pensar pelos critérios da dimensão, é claro que
qualquer província torna-se incomparável com um mero cubo mobiliado que
carinhosamente chamamos de quarto. Porém o cuidado com as próprias meias aos
seis anos de idade pode denotar habilidade – ou falta de – para assuntos de
governança.
Nunca votem em mim. Confundo meus pares de meias, dobro sem
nenhum resquício de geometria os meus cobertores e perco pecaminosamente as
minhas canetas. Ou seja, se não consigo cuidar das minhas próprias miudezas,
como seria a minha vida cuidando da sua?
Infelizmente não tivemos, e é provável que nem venhamos a
ter, a possibilidade de conhecer as mães dos políticos dos quais disputam,
ferozes, a nossa preferência. De certo que perguntaria sobre as meias. Mas
principalmente sobre a falta de surra que tanto lhes faz necessária hoje em dia.
Filhos das putas!
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Giba
O topete. O problema é o topete. Não consegue de jeito
nenhum ajeitar os fios de cabelo de forma que os deixem no formato e curvatura
suficientemente elegantes para o seu próprio agrado. Já são quase duas da tarde
e o topete ainda não está legal. Após mais uma olhada no espelho de mão e outro
suspiro de descontentamento, o pequeno Gilberto resolveu abstrair e procurar
alguma forma de entretenimento. Como costumamos fazer com a dor, para não
lembrar dela pedimos cócegas.
Levantou da gorda cadeira revestida de couro, espreguiçou-se
e arranjou a gravata. Com o polegar opositor e o indicador abriu uma fresta na
persiana e avistou o velho Viaduto do Chá. Viu os plebeus se trombando feito
formigas e fez uma carinha de nojo. Só de lembrar da campanha eleitoral quase
caiu de náuseas e correu para o álcool em gel.
Essa lembrança lhe deu uma ideia. Seria ótimo proibir o contato
com o povo. Ainda mais nessa época da internet.
Apertou a tecla do telefone desinfetado e chamou a
secretária.
_Cirlene, você poderia convocar o escrivão, por favor? Tive
outra excelente ideia para um projeto de lei. Os vereadores vão adorar!
_Sim senhor, senhor Gilberto.
_Senhor? Olha lá como me chama Cirlene. Nada abaixo de
excelentíssimo me agrada.
_Sim senhor, senhor excelentíssimo.
_Puta merda Cirlene. É “sim, excelentíssimo Gilberto”.
_Sim senhor.
_Ah vai se fuder! Você está proibida de ser minha
secretária.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Faz Nada
Se não faz rir
Nem pensar
Se não faz sentir
Nem chorar
Só pode não ser arte...
...nem amor.
Nem pensar
Se não faz sentir
Nem chorar
Só pode não ser arte...
...nem amor.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Lábios Rubros
O barulho líquido que faz a cerveja ao cair no copo roubou a
atenção que ele prestava àqueles lábios lindos e rubros. Sem se dar conta de
que o que saia deles percorria um caminho tortuoso de um ouvido a outro, porém
sem a devida parada na consciência. Sabia que na verdade qualquer palavra proferida
por ela soaria bem. Como todas as outras vezes preferia ouvir a falar. Afinal
não encontrava motivos para interromper o deleite da observação. Novos
contornos se exibiam a cada novo encontro. Novas razões para continuar calado,
observando e criando na fertilidade da imaginação um cenário perfeito em tempo,
lugar e situação. A garganta permanecia seca, mas a cerveja veio salvá-lo.
Ela pensava em duas situações. Quem realmente ele era e o
que ele queria. Apesar de saber muito sobre o sujeito, tinha lá suas dúvidas
quanto aos desejos e intenções do rapaz. Alguma coisa naquelas sobrancelhas
dizia que valia a pena tentar descobrir, mas os olhos que não desgrudavam dos
lábios a incomodavam, mesmo que isso também causasse uma estranha sensação de
satisfação. Incrivelmente pensava em tudo isso sem deixar de falar um só
segundo.
Ele via a noite nascer por detrás dos cabelos dela.
Questionou-se se aquele tipo de encantamento poderia ser cessado quando quisesse.
Desesperado caiu em si que não. Iniciou uma sequência devastadora de piscadas
rápidas, a fim de umedecer as córneas. Ajeitou-se diversas vezes na cadeira.
Bebeu de uma só vez a cerveja espumada do copo americano. Ficou tão inquieto
que pediu licença interrompendo a oratória da garota dos lábios rubros e foi ao
banheiro. A essa altura crente de que água no rosto traria o efeito de um bom
tempo passado.
Ela assustou-se com o repentino sobressalto. Preocupada
abandonou a elaboração de teorias sobre o futuro e suas escolhas. Levantou e
foi à porta do banheiro saber se ele estava bem. Bateu delicadamente e
perguntou com as pontas dos dedos o que ele tinha. Ele respondeu que estava
bem, que só tinha levado um susto.
Ao ouvir a voz dos lábios rubros sem vê-los pela primeira
vez, percebeu que a voz era tão doce e aveludada quanto a imaginava por
inteiro. E o tom preocupado que ela tinha empregado na interrogativa fez sentir-se
melhor, mais sereno.
Ela respondeu que o esperava de volta, na mesa.
Ele disse que já estava indo.
Ela só queria vê-lo e ter a certeza de que estava bem.
Ele jogou mais água no rosto.
Ela já não pensou em mais nada.
Ele também não.
Eles conversaram o resto da noite e pela manhã os lábios já
não eram mais rubros.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Xeque
Descobriram durante uma
maliciosa conversa de bar que a vida é cíclica. Uma velha novidade,
martelada insistentemente pelos pioneiros dessa descoberta. Contudo, só fica verdadeiramente esclarecido sobre o tema, quem sente cada
fim e começo e começo e fim. Aliás, esse negócio de começar e
terminar e depois começar de novo é difícil de pegar. Ninguém
vira especialista de tão principal matéria. A explicação é
simples como dois e dois são quatro. A vida é cíclica. E se é
assim, tudo muda. O jogo se alterna. Os peões viram bispos. E as
rainhas, reis. Vai-se arriscando nas estratégias, elaborando
possibilidades. Ao sabor das próprias conjeturas. Se joga com
intensidade vital até que de uma hora para outra o xeque se
apresenta. Por nossa vontade ou não. Apesar de saber que o fim é
certo, ficamos sobressaltados por um certo receio subconsciente de um
novo começo. Fazer o quê se é cíclica a vida? Traz mais uma
Valdir.
domingo, 22 de abril de 2012
Rabisco
Se amasse além do que quisesse
Antes que devesse
Quem eu não pudesse
Seria nada mais que apenas
Eu; tentando provar
Que ao contrário do ideal
O amor é rebelde
E apesar de ser como é
Nunca quer acabar mal.
Antes que devesse
Quem eu não pudesse
Seria nada mais que apenas
Eu; tentando provar
Que ao contrário do ideal
O amor é rebelde
E apesar de ser como é
Nunca quer acabar mal.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Frio na Barriga
No balanço quando te
empurraram um pouco mais forte ou em uma ingrime descida em ponto
morto. Geralmente é assim que nos acomete o primeiro frio na
barriga. Dá vontade de chorar, mas um sorriso também desponta. “Que
coisa é essa?” a gente se pergunta. Sensação estranha, gostosa e
ruim. De querer de novo e de nunca mais. É o nosso paladar
descobrindo o gosto de estar à deriva. Sem saber se é medo ou
excitação. Ambos, talvez. Com o tempo, por capricho do mistério, o
frio na barriga vai mudando o seu rosto. Se disfarça para nunca cair
em desuso. Vira olhares, pegar na mão. Vira sim e vira não. Depois
se traveste de amor. E quando de mal humor, de fim. Assim a vida vai,
com o frio na barriga e suas traquinagens que nos temperam com sabor
agridoce, só de sacanagem. Mas não se engane. Ele é o mesmo de
sempre. Por mais que se fantasie, o frio na barriga continua sendo só
a gente voando mais alto no balanço.
Assinar:
Postagens (Atom)
