domingo, 17 de outubro de 2010
Reflexões de um domingo à noite
O que mais teme um homem que o ato singelo da decisão? Claro que adjetivar o verbo decidir de singelo é pura ironia. A escolha de um caminho geralmente é acompanhada de variáveis que nem sempre podem ser numeradas. Ser ou não ser. Ir ou não ir. Beijar ou não beijar. Parece simples, parece fácil, mas as possíveis consequências inóspitas fazem da mente, alma e coração, o inferno pontual de cada escolha, trazendo um odioso medo do que pode acontecer. E que impiedosamente tira a doce vontade de realmente saber o que virá. Não trata-se de uma ciência exata, não há certezas. Nada é só certo ou errado. Talvez por isso a existência de um receio crônico do que está por vir. Estamos aqui para isso, viver. Amanhã não importa hoje. E hoje não importará amanhã. Somos um livro escrito sem a chance de apagar erros de concordância e coesão e que a cada página revela mistérios, amores e desilusões que uma boa trama exige. E é esse o acento agudo que sonoriza a vida, a nua sinceridade de ser quem se é.
domingo, 26 de setembro de 2010
Frases Comentadas Parte 7
"Que siga crescendo a avalanche de votos. (...) Há um bonito dia. Vamos, que a pátria espera"
Hugo Chávez - Presidente da Venezuela
As orações acima foram tuitadas pelo segundo astro pop da política mundial, Hugo Chávez. Creio que não haja dúvidas sobre quem ocupa o primeiro posto. O cenário na Venezuela é de eleições legislativas e muita, mas muita desconfiança. A oposição venezuelana e o mundo temem a intervenção de Chávez no processo eleitoral, não dando chance aos adversários, e principalmente à democracia. Porém não se sabe exatamente o que se passa pela insana mente do líder bolivariano. A decisão de fraudar as eleições poderia ser um tiro no dedão do pé direito se essa ação fosse comprovada. Mas enfim, onde eu queria chegar com essa história toda? Na verdade, dei-me conta de que o voto é uma aposta em qualquer lugar do mundo. Onde se pode confiar no processo eleitoral não se pode confiar nos candidatos, e o mesmo acontece ao inverso ou ao mesmo tempo. Não confiar nem no poder das urnas, nem nos pretendentes a postular os tão sonhados cargos públicos realmente deve ser uma tristeza (maior que a tristeza tupiniquim). Mas como disse Chávez: "Vamos, que a pátria espera".
Hugo Chávez - Presidente da Venezuela
As orações acima foram tuitadas pelo segundo astro pop da política mundial, Hugo Chávez. Creio que não haja dúvidas sobre quem ocupa o primeiro posto. O cenário na Venezuela é de eleições legislativas e muita, mas muita desconfiança. A oposição venezuelana e o mundo temem a intervenção de Chávez no processo eleitoral, não dando chance aos adversários, e principalmente à democracia. Porém não se sabe exatamente o que se passa pela insana mente do líder bolivariano. A decisão de fraudar as eleições poderia ser um tiro no dedão do pé direito se essa ação fosse comprovada. Mas enfim, onde eu queria chegar com essa história toda? Na verdade, dei-me conta de que o voto é uma aposta em qualquer lugar do mundo. Onde se pode confiar no processo eleitoral não se pode confiar nos candidatos, e o mesmo acontece ao inverso ou ao mesmo tempo. Não confiar nem no poder das urnas, nem nos pretendentes a postular os tão sonhados cargos públicos realmente deve ser uma tristeza (maior que a tristeza tupiniquim). Mas como disse Chávez: "Vamos, que a pátria espera".
domingo, 12 de setembro de 2010
Blasé
"Você é tão blasé!" disse ela ao descer do carro soltando o El Niño pelas ventas. Carlos não sabia exatamente o motivo de tanta irritação de sua companheira, não sabia sequer o que significava ser um cara blasé. Enquanto refletia sobre as possibilidades que, julgava terem algo a ver com o ataque histérico de Julia, ele viu do outro lado um senhor que já passeava pelos longínquos territórios da sexagenariedade. Carlos saiu do carro e foi ao encontro do velho homem, que sentado nas escadas que antecediam a porta principal de uma casa - provavelmente de sua posse - tranquilamente girando entre os dedos um caule seco de alguma flor do jardim que rodeava o espaço entre o meio fio e a porta. "Boa noite" cumprimentou Carlos estendendo a mão. "Boa noite meu filho" respondeu cordialmente o velho homem atendendo ao gesto. "Posso me sentar com o senhor? Ah perdão, me chamo Carlos por sinal". O velho homem balançou a cabeça, não se sabe se positivamente, pois não foi um movimento muito nítido, e então disse "Minha graça é Franz. E pode sentar sim, fique a vontade, mas não lhe garanto conforto, afinal não costumo receber visitas do lado de fora de minha casa." Carlos sorriu e sentou-se. Olhou para a casa de Julia e viu a janela de seu quarto acesa. Apontou para a janela e disse "Minha garota mora nesta casa, e aquela luz vem do seu quarto". Franz levantou o olhar para conseguir ver para onde o jovem apontava e perguntou "Por que então você não está lá, com ela?". Carlos respondeu "Na verdade não sei. Mas gostaria que o senhor pudesse me esclarecer algumas coisas. Não entendo as mulheres! Não adiantaria ser perfeito, elas não ficariam satisfeitas nem assim". Seu Franz riu alto de forma que sua ligeira gargalhada chegasse a ecoar pela rua deserta ajudada pelo fato de já ser tarde da noite. Presenteou Carlos com dois tapinhas no joelho e disse "Você acha sinceramente que estou sentado aqui, nas escadas do meu jardim às onze da noite, porque quero tomar um ventinho? Não meu jovem, não é por isso. Antes o fosse. Na atual conjuntura, estou começando a achar que ficar do lado de fora é até melhor. Elas (as mulheres) são assim mesmo, são uma sala lotada de gás onde a mínima faísca pode causar resultados catastróficos. Não adianta tentar entendê-las, não adianta tentar consertá-las, a vida as fez assim". Carlos olhou novamente para a janela de Julia e viu a luz se apagar. Voltou a atenção para Seu Franz e indagou "Pois é, tentar entender as mulheres é uma tarefa impossível. Mas eu queria entender pelo menos os xingamentos que elas utilizam. Hoje mesmo é ela (a Julia) me chamou de blasé! Que raios isso siginifica?" Franz levantou-se, descansou sua mão no ombro esquerdo de Carlos e disse "Quem liga? Elas leem tudo isso em alguma revista. O xingamento muda, porque a revista muda com o tempo, mas no final o recado é sempre o mesmo. Vai se acostumando, porque agora elas têm a internet, meu filho".
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Porque o Movimento é Coletivo
Chega um certo momento na vida em que se percebe que a nossa existência é apenas um elemento de algo muito maior. Somos células de um organismo que não sabemos para onde vai. Achamos que não temos poder de mudar o rumo desse organismo, por diminuirmos nossa importância só por acreditar que uma célula não tem essa capacidade. E de fato não tem. Uma célula não altera nada nem ninguém. É preciso juntar-se com outras, e mais outras e mais outras. E então, quando se tem força suficiente para mudar o comportamento, o rumo, a vida, é hora de tomar uma atitude. E você deve tomar muito cuidado com o grupo de células em que vai se juntar. Há aquelas que se unem para estancar um sangramento e fechar o ferimento, mas também há aquelas que sem piedade constituem um câncer, talvez porque não tenham noção de que podem se afundar junto com o organismo caso ele padeça.
É por isso que um grupo de células muito bem intencionadas criaram o Movimento Coletivo. A ideia é simples, mas o desafio é grande. Em tempos de escassez intelectual na grande massa, o MO busca plantar as sementes do conhecimento e da cultura ao mesmo tempo em que mostra que a união pode sim mudar o ambiente em que se vive. A epidemia de ignorância que invadiu a sociedade tem cura, basta abrirmos os olhos do maior número de pessoas possível para que vejam a realidade e tomem consciência das inúmeras possibilidades de provocar uma mudança. Uma mudança de atitude que desperte a vontade de fazer parte ativamente desse algo maior que é o organismo. Porque apesar de não sabermos para onde ele vai, temos que mantê-lo vivo e cheio de saúde, pois nossa existência depende disso e se quisermos deixar um organismo melhor para as células futuras, precisamos fazer algo agora, antes que seja tarde demais.
Junte-se a esta causa. Para saber mais acesse o site www.movimentocoletivo.com.br e siga o Twitter @Mov_Coletivo.
Porque o Movimento é Coletivo.
sábado, 4 de setembro de 2010
Soneto Saudoso ou Vice-Versa
Sol e Lua
Seco e chuva
O tempo é volátil demais
Até com o que nos trás
Sempre acreditei no destino
É mais fácil ter um caminho
assim como um menino
que não quer parar de brincar
Não é sempre que chove
E quando chove talvez não molhe
A terra onde eu vou pisar
Também não é segredo
que eu tenho medo
quem nunca teve pode uma pedra arremessar
Seco e chuva
O tempo é volátil demais
Até com o que nos trás
Sempre acreditei no destino
É mais fácil ter um caminho
assim como um menino
que não quer parar de brincar
Não é sempre que chove
E quando chove talvez não molhe
A terra onde eu vou pisar
Também não é segredo
que eu tenho medo
quem nunca teve pode uma pedra arremessar
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Caos(as) Maiores
A esposa levanta alegre, cantante, pulando da cama e sacudindo o marido que babava no travesseiro de penas de alguma ave qualquer. Ele reluta em dar atenção à euforia da esposa. Vira-se pra um lado, vira-se para o outro. Enquanto isso ela vai até o banheiro para sua higiene matinal. Volta, abre as janelas e diz:
_Arnaldo, olha que dia lindo, é o seu dia meu amor!
Arnaldo ainda não tinha percebido o alvoroço na rua da sua casa, bem em frente ao seu portão. A esposa delirante vendo a algazarra gritava:
_Ai que emoção! Eles vieram pra te apoiar, te levantar como um herói para o Brasil e para o Mundo!
Ouvia-se gritos vindos da rua, mas de dentro da casa não era possível identificá-los nitidamente. Arnaldo resolveu enfim se compor para enfrentar aquele dia que já não começara da maneira que lhe apetecia. Na mesa do café da manhã, Arnaldo comia suas tradicionais bolachas de água e sal, mas sentiu falta do leite sobre a mesa.
_Maria, pegue o leite pra mim? disse ele. Ela sem pestanejar levantou-se e foi correndo até a geladeira apanhar o item solicitado. Maria sentou-se em frente a Arnaldo e perguntou:
_Querido, você acha que vai ser fácil? Vai ser fácil, não é? Eles te adoram!
_Eles não me adoram. Esse povo não adora ninguém. A gente quer fazer um trabalho decente e todo mundo fica reclamando de dinheiro de pinga que é desviado para causas maiores!
_Mas se as causas são "maiores", não é mais fácil explicar isso pra eles?
_Maria do Céu! Eles não sabem nem ler. Explicar alguma coisa pra essa gente é falar com uma porta.
_Você já tentou falar com uma porta?
_O que? Ah, deixa pra lá! Você me acompanha hoje? Em dia de eleição sempre é bom mostrar o lado família!
_Claro querido, vamos nos aprontar. E aliás, não esquece de colocar seu Armani, você tem que ficar muito elegante! O povo tem que saber que está bem representado pelo chiquérrimo Arnaldo Ferraz!
_Eu sei, eu sei. É por isso que eu te amo querida! Você me entende, sempre quer o melhor pra mim, e além do mais sabe como ninguém combinar as minhas "causas maiores".
_Arnaldo, olha que dia lindo, é o seu dia meu amor!
Arnaldo ainda não tinha percebido o alvoroço na rua da sua casa, bem em frente ao seu portão. A esposa delirante vendo a algazarra gritava:
_Ai que emoção! Eles vieram pra te apoiar, te levantar como um herói para o Brasil e para o Mundo!
Ouvia-se gritos vindos da rua, mas de dentro da casa não era possível identificá-los nitidamente. Arnaldo resolveu enfim se compor para enfrentar aquele dia que já não começara da maneira que lhe apetecia. Na mesa do café da manhã, Arnaldo comia suas tradicionais bolachas de água e sal, mas sentiu falta do leite sobre a mesa.
_Maria, pegue o leite pra mim? disse ele. Ela sem pestanejar levantou-se e foi correndo até a geladeira apanhar o item solicitado. Maria sentou-se em frente a Arnaldo e perguntou:
_Querido, você acha que vai ser fácil? Vai ser fácil, não é? Eles te adoram!
_Eles não me adoram. Esse povo não adora ninguém. A gente quer fazer um trabalho decente e todo mundo fica reclamando de dinheiro de pinga que é desviado para causas maiores!
_Mas se as causas são "maiores", não é mais fácil explicar isso pra eles?
_Maria do Céu! Eles não sabem nem ler. Explicar alguma coisa pra essa gente é falar com uma porta.
_Você já tentou falar com uma porta?
_O que? Ah, deixa pra lá! Você me acompanha hoje? Em dia de eleição sempre é bom mostrar o lado família!
_Claro querido, vamos nos aprontar. E aliás, não esquece de colocar seu Armani, você tem que ficar muito elegante! O povo tem que saber que está bem representado pelo chiquérrimo Arnaldo Ferraz!
_Eu sei, eu sei. É por isso que eu te amo querida! Você me entende, sempre quer o melhor pra mim, e além do mais sabe como ninguém combinar as minhas "causas maiores".
domingo, 8 de agosto de 2010
Simples
Sou simples. Tenho desejos simples. Simples pra mim, não para o mundo. Tudo o que se quer ganha complexidade intensa quando se deseja muito alguma coisa. Talvez seja proposital, algo como uma peça do destino pra ninguém se acomodar e logo se entediar com a vida. Muitos tem a ilusão de viver para o futuro, de fazer planos que desfocam o seu próprio presente. Nada contra fazer planos, só acho que o agora é o lugar mais importante na linha do tempo.
Parar de viver pensando no que pode acontecer daqui a determinado período é uma escolha. E escolhas tem uma considerável propabilidade de não corresponder às expectativas de quem as fez. Eu escolho o agora, eu escolho o aqui. E, infelizmente, também corro o risco de estar errado. Por isso meus desejos são simples. Eles se resumem em querer que o meu agora seja bom, e que o agora de amanhã seja melhor ainda. Mas quando se deseja muito alguma coisa o que faz o destino? Te prega peças. Peças pequenas e grandes. Peças que são como pedras que se deve tirar do caminho e às vezes pisá-las descalço, pra que quando o chão macio chegar, o alívio seja ainda mais prazeroso.
Onde quero chegar com toda essa reflexão? Quero saber como lidar com as pedras. Não sei se tenho habilidade suficiente pra me desviar delas. Não me culpo por isso. Estou aprendendo, afinal, que sei eu da vida? Sei muita coisa, mas não é metade do que está por se apresentar a mim. Mas das poucas coisas que sei da vida, é que ela é simples, que nem eu. E é por isso que eu gosto dela. E acho sinceramente que ela também gosta de mim. Dou as minhas mãos à vida e deixo ela me guiar. Porque apesar de tudo eu confio nos seus caminhos.
Parar de viver pensando no que pode acontecer daqui a determinado período é uma escolha. E escolhas tem uma considerável propabilidade de não corresponder às expectativas de quem as fez. Eu escolho o agora, eu escolho o aqui. E, infelizmente, também corro o risco de estar errado. Por isso meus desejos são simples. Eles se resumem em querer que o meu agora seja bom, e que o agora de amanhã seja melhor ainda. Mas quando se deseja muito alguma coisa o que faz o destino? Te prega peças. Peças pequenas e grandes. Peças que são como pedras que se deve tirar do caminho e às vezes pisá-las descalço, pra que quando o chão macio chegar, o alívio seja ainda mais prazeroso.
Onde quero chegar com toda essa reflexão? Quero saber como lidar com as pedras. Não sei se tenho habilidade suficiente pra me desviar delas. Não me culpo por isso. Estou aprendendo, afinal, que sei eu da vida? Sei muita coisa, mas não é metade do que está por se apresentar a mim. Mas das poucas coisas que sei da vida, é que ela é simples, que nem eu. E é por isso que eu gosto dela. E acho sinceramente que ela também gosta de mim. Dou as minhas mãos à vida e deixo ela me guiar. Porque apesar de tudo eu confio nos seus caminhos.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Especial
Seis bilhões de pessoas no mundo. Pensando racionalmente quase dá pra entrar em crise de desesperança. Quantas dessas bilhões são realmente especiais? Não creio que muitas, porque até hoje não conheci número suficiente para perder a conta. Fico me perguntando o motivo de tamanha discrepância entre os ordinários e os especiais. Tempo atrás eu obtive a resposta das minhas reflexões. É preciso muitos ordinários para que possamos compreender a importância dos especiais. Não me julguem prepotente, me considero ordinário, mas um ordinário especial. Por um simples motivo: O fato de ter a imensa sorte de conhecer pessoas especiais.
E esse texto é dedicado a uma das pessoas mais especiais que eu já conheci.
E esse texto é dedicado a uma das pessoas mais especiais que eu já conheci.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Só mais uma história
O ônibus cheio deixa melindrada a jovem garota de vestido amarelo e rosto tímido. Ela carrega consigo um mala de viagem média, talvez com roupa suficiente para uma semana. Está só, e talvez por isso deixe transparecer um certo ar de espanto. Há pessoas estranhas para ela naquele lugar, não está confortável, quer chegar logo em seu destino. No bolso está um bilhete, manuscrito pela mãe e que lhe desejava boa sorte. Um a um os passageiros foram descendo em seus respectivos pontos, e a cada descida a jovem garota de vestido amarelo sentia-se mais aliviada, como se a solidão fosse sua melhor companhia. Talvez fosse, por enquanto.
Uma mulher de óculos escuros espera a garota na porta de um cinema no centro da cidade, tomando um refrigerante e observando os cartazes dos filmes. Ela de costas pra rua, ouviu o som de um ônibus freando e virou-se rapidamente como se já soubesse que a garota estava nele. Descendo os degraus do coletivo, a garota sorriu para a mulher de óculos escuros e chegando até ela a abraçou com muito carinho. "Como vai doutora?" disse a mulher dos óculos escuros. "Estou bem Clarice, e você como está? É muito bom te ver de novo." respondeu a garota de vestido amarelo. Clarice convidou a doutora, que se chamava Gabriela, para entrar no cinema. Gabriela estranhou e perguntou se não podia descansar primeiro, já que havia feito uma longa viagem. Clarice disse que era importante e que não tomaria muito seu tempo. As duas entraram no cinema que estava vazio, sentaram em poltronas separadas por duas ou três fileiras, apoiaram seus pés nos encostos das cadeiras e começaram a gargalhar. Eram velhas amigas, desde sempre. Gabriela disse "Acho que ficou bom!". Clarice respondeu que sim, que adorava quando Gabriela interpretava a doutora, "Você fica séria, se eu não te conhecesse te comprava".
Eram atrizes e viam na vida uma imensidão de histórias. Pegar um ônibus com uma mala vazia e fingir que estavam com saudades uma da outra após um falso reencontro, fazia com que acreditassem realmente estar sentindo o que interpretavam e esse era o passatempo das duas. E a vida prova que Gabriela e Clarice estão certas, que tudo é um longuíssima metragem onde quem escolhe o gênero são os próprios protagonistas.
Uma mulher de óculos escuros espera a garota na porta de um cinema no centro da cidade, tomando um refrigerante e observando os cartazes dos filmes. Ela de costas pra rua, ouviu o som de um ônibus freando e virou-se rapidamente como se já soubesse que a garota estava nele. Descendo os degraus do coletivo, a garota sorriu para a mulher de óculos escuros e chegando até ela a abraçou com muito carinho. "Como vai doutora?" disse a mulher dos óculos escuros. "Estou bem Clarice, e você como está? É muito bom te ver de novo." respondeu a garota de vestido amarelo. Clarice convidou a doutora, que se chamava Gabriela, para entrar no cinema. Gabriela estranhou e perguntou se não podia descansar primeiro, já que havia feito uma longa viagem. Clarice disse que era importante e que não tomaria muito seu tempo. As duas entraram no cinema que estava vazio, sentaram em poltronas separadas por duas ou três fileiras, apoiaram seus pés nos encostos das cadeiras e começaram a gargalhar. Eram velhas amigas, desde sempre. Gabriela disse "Acho que ficou bom!". Clarice respondeu que sim, que adorava quando Gabriela interpretava a doutora, "Você fica séria, se eu não te conhecesse te comprava".
Eram atrizes e viam na vida uma imensidão de histórias. Pegar um ônibus com uma mala vazia e fingir que estavam com saudades uma da outra após um falso reencontro, fazia com que acreditassem realmente estar sentindo o que interpretavam e esse era o passatempo das duas. E a vida prova que Gabriela e Clarice estão certas, que tudo é um longuíssima metragem onde quem escolhe o gênero são os próprios protagonistas.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Devaneios de três bêbados
Os diálogos abaixo foram confeccionados de forma improvisada e sequencial.
@diogodias como Cara 1
@renato_al como Cara 2
@_AndersonDias_ como Cara 3
Cara 1: América, ó América!
Cara 2: Mas que porra de América é essa meu filho?
Cara 3: Por que todo mundo quer ir para a América?
Cara 1: Ir? Quem falou em ir pra algum lugar? Não estamos bem aqui?
Cara 2: Mas você mesmo foi quem lembrou da América, aquela tão longe!
Cara 3: Quem disse que ela está tão longe? Falamos tanto dela e nem a conhecemos...
Cara 1: Eu a conheço muito bem. Vadia!
Cara 2: Então é isso! América é tudo aquilo que conhecemos de pernas abertas.
Cara 3: Ah, América!
Cara 1: Então você lembrou?
Cara 2: Pra mim, a América é tudo aquilo que nos dá vida, não importa como.
Cara 3: Tudo que dá vida o que? A América é a maior putaria!
Cara 1: Puta que pariu! Quanta promiscuidade pra só duas cabeças!
Cara 2: Promiscuidade e putaria andam juntas. E a vida vem logo depois.
Cara 3: Mas a vida é assim. Desde pequena é sofrida.
Cara 1: Meus amigos, que coisa, não? América nos trouxe pessimismo sem precedentes.
Cara 2: Não é pessimismo. A vida parte de uma putaria sem tamanho, amigo.
Cara 3: É a gente começa assim e vê que tudo acaba em putaria.
Cara 1: A putaria é o começo. No fim ou goza ou broxa.
Cara 2: É isso que eu queria dizer. Se goza é vida. Se broxa, nem putaria é.
Cara 3: Na América tem muito mais gente que curte a vida.
Cara 1: Psicodelia regada à álcool essa a nossa, não?
Cara 2: Há psicodelia de todo o jeito, a do álcool é assim. Sempre puxa pra putaria.
Cara 3: Afinal o que seria do álcool se não existisse a putaria, e da putaria se não existisse o álcool?
Cara 1: É como o ovo e a galinha.
Cara 2: É como aquela vontade irremediável de mijar sem ter a porra de um sanitário aqui por perto...
Cara 3: Há tantos lugares pra mijar na América. Argentina, por exemplo.
Cara 1: Tenho que ir, aceitam carona?
Cara 2: Peraí, agora que íamos falar das coisas sujas da América. Mijar é uma coisa suja..
Cara 3: Coisas sujas? Já falamos da Argentina.
Cara 1: A América é favela. Mas só num cantinho tem samba.
Cara 2: Vocês sempre lembram da última azeitona, mas tudo tem valor.
Cara 3: Sim. Tudo tem seu valor. O que seria de nós sem os americanos pra criar e os chineses pra copiar?
Cara 1: Seríamos o que somos de melhor. Criadores e copiões.
Cara 2: Mas com quem você aprenderia a criar, e com quem aprenderia a copiar?
Cara 3: Seria o jeito brasileiro de ser.
Cara 1: Ok. Vamos.
@diogodias como Cara 1
@renato_al como Cara 2
@_AndersonDias_ como Cara 3
Cara 1: América, ó América!
Cara 2: Mas que porra de América é essa meu filho?
Cara 3: Por que todo mundo quer ir para a América?
Cara 1: Ir? Quem falou em ir pra algum lugar? Não estamos bem aqui?
Cara 2: Mas você mesmo foi quem lembrou da América, aquela tão longe!
Cara 3: Quem disse que ela está tão longe? Falamos tanto dela e nem a conhecemos...
Cara 1: Eu a conheço muito bem. Vadia!
Cara 2: Então é isso! América é tudo aquilo que conhecemos de pernas abertas.
Cara 3: Ah, América!
Cara 1: Então você lembrou?
Cara 2: Pra mim, a América é tudo aquilo que nos dá vida, não importa como.
Cara 3: Tudo que dá vida o que? A América é a maior putaria!
Cara 1: Puta que pariu! Quanta promiscuidade pra só duas cabeças!
Cara 2: Promiscuidade e putaria andam juntas. E a vida vem logo depois.
Cara 3: Mas a vida é assim. Desde pequena é sofrida.
Cara 1: Meus amigos, que coisa, não? América nos trouxe pessimismo sem precedentes.
Cara 2: Não é pessimismo. A vida parte de uma putaria sem tamanho, amigo.
Cara 3: É a gente começa assim e vê que tudo acaba em putaria.
Cara 1: A putaria é o começo. No fim ou goza ou broxa.
Cara 2: É isso que eu queria dizer. Se goza é vida. Se broxa, nem putaria é.
Cara 3: Na América tem muito mais gente que curte a vida.
Cara 1: Psicodelia regada à álcool essa a nossa, não?
Cara 2: Há psicodelia de todo o jeito, a do álcool é assim. Sempre puxa pra putaria.
Cara 3: Afinal o que seria do álcool se não existisse a putaria, e da putaria se não existisse o álcool?
Cara 1: É como o ovo e a galinha.
Cara 2: É como aquela vontade irremediável de mijar sem ter a porra de um sanitário aqui por perto...
Cara 3: Há tantos lugares pra mijar na América. Argentina, por exemplo.
Cara 1: Tenho que ir, aceitam carona?
Cara 2: Peraí, agora que íamos falar das coisas sujas da América. Mijar é uma coisa suja..
Cara 3: Coisas sujas? Já falamos da Argentina.
Cara 1: A América é favela. Mas só num cantinho tem samba.
Cara 2: Vocês sempre lembram da última azeitona, mas tudo tem valor.
Cara 3: Sim. Tudo tem seu valor. O que seria de nós sem os americanos pra criar e os chineses pra copiar?
Cara 1: Seríamos o que somos de melhor. Criadores e copiões.
Cara 2: Mas com quem você aprenderia a criar, e com quem aprenderia a copiar?
Cara 3: Seria o jeito brasileiro de ser.
Cara 1: Ok. Vamos.
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