Amanheceu, acordou, levantou, comeu.
Lavou-se, vestiu-se, maquiou-se, saiu.
Dirigiu, chegou, trabalhou, telefonou.
Cansou, ligou, combinou, partiu.
Encontrou, cumprimentou, sentou-se, pediu.
Conversaram, beberam, riram, jantaram.
Gargalharam, entreolharam, envergonharam-se, se tocaram.
Se aproximaram, se declararam, se encantaram, se beijaram.
Amanheceu, acordou, procurou, se decepcionou.
Levantou, refletiu, se arrependeu, chorou.
Não foi amada, mas amou.
sábado, 22 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Começa Sustentare, pra não Acabar Chorare
O dia parece muito curto pra mim. Para tudo o que eu quero fazer. Vinte e quatro horas que às vezes nos trancam como jaulas nos padrões do tempo. Por que todo mundo precisa estar dormindo às três da madrugada? A resposta todos sabem. Não vale a pena discorrer sobre ela, pois cairíamos numa reflexão sóciocultural que renderia texto suficiente para uma tese de mestrado. O que me incomoda é, o que mais nos toma tempo muitas vezes é o que precisamos fazer, e não o que queremos fazer. Passamos um terço de nossas vidas dormindo. Que absurdo! Trabalhando então, nem se fala. Convivemos mais tempo com o chefe do que com qualquer outra pessoa que esteja na frente dele no nosso ranking pessoal de simpatia. Acho que grande parte da culpa da não evolução do homem, em termos éticos e morais, é a falta de tempo pra usufruir e entender o que realmente importa na vida.
Hoje olhamos mais para o relógio do que para a janela. Ficamos tão preocupados com a movimentação dos ponteiros que esquecemos de reparar se ainda é dia, se é noite, se faz frio ou calor. O efeito hipnótico da rotina fez o homem estagnar sua produção cultural. Há sim movimentos artísticos e culturais importantíssimos, mas mesmo juntando todos eles, acabam resultando numa grande minoria. Sem arte, não há reflexão. Sem reflexão não há mudança. E sem mudança não há evolução. O que vivemos é um mimetismo da vida. Encontro mais realidade na arte do que na própria realidade.
Em tempos de massas moldadas à cara larga pela grande mídia, temos que nos posicionar pra não cair nessa cilada. Escrever uma música, brincar com acordes, pintar, escrever, desenhar, ler, ou simplesmente só admirar tudo isso, já é um grande passo. O conceito "sustentabilidade" não é exclusividade do meio ambiente. Nossa mente e alma precisam de mais atenção, pra se fortalecer e evoluir. Porque ser sustentável é alimentar a vida ao invés de acabar mais rápido com ela.
Hoje olhamos mais para o relógio do que para a janela. Ficamos tão preocupados com a movimentação dos ponteiros que esquecemos de reparar se ainda é dia, se é noite, se faz frio ou calor. O efeito hipnótico da rotina fez o homem estagnar sua produção cultural. Há sim movimentos artísticos e culturais importantíssimos, mas mesmo juntando todos eles, acabam resultando numa grande minoria. Sem arte, não há reflexão. Sem reflexão não há mudança. E sem mudança não há evolução. O que vivemos é um mimetismo da vida. Encontro mais realidade na arte do que na própria realidade.
Em tempos de massas moldadas à cara larga pela grande mídia, temos que nos posicionar pra não cair nessa cilada. Escrever uma música, brincar com acordes, pintar, escrever, desenhar, ler, ou simplesmente só admirar tudo isso, já é um grande passo. O conceito "sustentabilidade" não é exclusividade do meio ambiente. Nossa mente e alma precisam de mais atenção, pra se fortalecer e evoluir. Porque ser sustentável é alimentar a vida ao invés de acabar mais rápido com ela.
domingo, 25 de abril de 2010
Conto de Dois
A cidade parecia mais agitada do que de costume. O café diário na padaria de frente à praça estava com gosto diferente, talvez mais amargo. Olhou no relógio e já eram dez da manhã, mas não parecia. O céu estava nublado, mas não a ponto de temer a chuva. A temperatura amena permitia roupas leves, uma camisa de mangas curtas e jeans, pra variar. Sua capacidade de concentração não estava em seus melhores dias. Ele não prestou atenção ao valor a ser pago ao caixa da padaria e mesmo que tivesse olhado para o aparelho televisor a maior parte do tempo em que esteve ali, não conseguiu traduzir nenhuma palavra para o consciente. Era um dia estranho. O que não quer dizer bom ou ruim, apenas estranho.
Sua agitação casual não era por acaso. Um dia importante para ela. Tinha se empolgado com a maquiagem e na escolha das roupas, só esquecera do tempo. Quando se deu por si estava no limite de seu horário de saída. Apressada se lançou à rua como se tivesse que tirar seu amado pai da forca. Ignorou o céu nublado e largou de mão seu guarda-chuva que estava no sofá da sala. A pressa fazia com que o relógio andasse mais rápido e o mundo mais lento. Não adiantava tentar não pensar no seu inevitável atraso. Elaborava histórias e situações tão convincentes para usar como desculpa que logo às descartava por achar que eram perfeitas demais. Enquanto era chacoalhada pelo ônibus, batia um certo desespero depressivo que a deixou triste. E uma lágrima caiu marcando seu rosto com um traço negro.
Ao sair da padaria, abriu os braços para o mundo e sorriu comemorando a estranheza do dia. Viu o céu cinza, o asfalto cinza, as pessoas cinzas e viu a praça. A praça era verde e foi o que o encantou. Esperou até o semáforo lhe permitir passagem e atravessou a rua a passos largos até chegar à outra calçada, onde estava o verde. Em meio a um caos já considerado comum, percebeu que aquele talvez fosse o seu refúgio momentâneo. Sentou-se num banquinho de concreto, cruzou as pernas e colocou seus braços abertos apoiados no encosto. Assistia tudo o que se passava perante os seus olhos como se estivesse fora daquele mundo. Perguntou-se o por que estava ali sentado numa praça qualquer, observando coisas que nunca tinha reparado. Não encontrou respostas.
Para coroar sua frustração, o ônibus que estava quebrou ainda distante do seu destino. A linda garota entregou-se ao pranto, como se tudo tivesse acabado naquele dia. Desceu do veículo e sentando na calçada sentiu seu coração apertar, pensando nas conseqüências de não comparecer ao tão importante compromisso.
Enquanto chorava com a cabeça entre os joelhos sentiu uma gota d’água deslizar em suas costas. E depois outra gota, e outra e outra. Estava chovendo e ela não havia levado seu guarda-chuva. Viu do outro lado um rapaz correndo em direção a um coreto que ficava no centro de uma praça. Achou uma boa idéia. Correu para lá também.
No coreto ele ria descontroladamente sem saber porque. De repente a viu correndo em sua direção. Extasiou-se com aquela imagem que parecia uma visão divina. Ela por outro lado estava preocupada em não se ensopar por completo. Subiu a pequena escada e finalmente se abrigou. Respirando fundo para se recompor ela viu o rapaz a olhando fixamente, achou estranho, mas não se importou, desviou o olhar e continuou a amarrar seus longos cabelos. Ele ainda paralisado pelo encantamento que lhe tomou os sentidos viu que a maquiagem borrada denunciava que talvez o dia não tivesse sido bom para ela e disse: “Talvez queira lavar o rosto.” Ela respondeu: “Talvez eu queira lavar a alma.”
O coreto então tornou-se apenas um ponto de encontro para uma dança na chuva.
Sua agitação casual não era por acaso. Um dia importante para ela. Tinha se empolgado com a maquiagem e na escolha das roupas, só esquecera do tempo. Quando se deu por si estava no limite de seu horário de saída. Apressada se lançou à rua como se tivesse que tirar seu amado pai da forca. Ignorou o céu nublado e largou de mão seu guarda-chuva que estava no sofá da sala. A pressa fazia com que o relógio andasse mais rápido e o mundo mais lento. Não adiantava tentar não pensar no seu inevitável atraso. Elaborava histórias e situações tão convincentes para usar como desculpa que logo às descartava por achar que eram perfeitas demais. Enquanto era chacoalhada pelo ônibus, batia um certo desespero depressivo que a deixou triste. E uma lágrima caiu marcando seu rosto com um traço negro.
Ao sair da padaria, abriu os braços para o mundo e sorriu comemorando a estranheza do dia. Viu o céu cinza, o asfalto cinza, as pessoas cinzas e viu a praça. A praça era verde e foi o que o encantou. Esperou até o semáforo lhe permitir passagem e atravessou a rua a passos largos até chegar à outra calçada, onde estava o verde. Em meio a um caos já considerado comum, percebeu que aquele talvez fosse o seu refúgio momentâneo. Sentou-se num banquinho de concreto, cruzou as pernas e colocou seus braços abertos apoiados no encosto. Assistia tudo o que se passava perante os seus olhos como se estivesse fora daquele mundo. Perguntou-se o por que estava ali sentado numa praça qualquer, observando coisas que nunca tinha reparado. Não encontrou respostas.
Para coroar sua frustração, o ônibus que estava quebrou ainda distante do seu destino. A linda garota entregou-se ao pranto, como se tudo tivesse acabado naquele dia. Desceu do veículo e sentando na calçada sentiu seu coração apertar, pensando nas conseqüências de não comparecer ao tão importante compromisso.
Enquanto chorava com a cabeça entre os joelhos sentiu uma gota d’água deslizar em suas costas. E depois outra gota, e outra e outra. Estava chovendo e ela não havia levado seu guarda-chuva. Viu do outro lado um rapaz correndo em direção a um coreto que ficava no centro de uma praça. Achou uma boa idéia. Correu para lá também.
No coreto ele ria descontroladamente sem saber porque. De repente a viu correndo em sua direção. Extasiou-se com aquela imagem que parecia uma visão divina. Ela por outro lado estava preocupada em não se ensopar por completo. Subiu a pequena escada e finalmente se abrigou. Respirando fundo para se recompor ela viu o rapaz a olhando fixamente, achou estranho, mas não se importou, desviou o olhar e continuou a amarrar seus longos cabelos. Ele ainda paralisado pelo encantamento que lhe tomou os sentidos viu que a maquiagem borrada denunciava que talvez o dia não tivesse sido bom para ela e disse: “Talvez queira lavar o rosto.” Ela respondeu: “Talvez eu queira lavar a alma.”
O coreto então tornou-se apenas um ponto de encontro para uma dança na chuva.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Não dá pra negar
Não há como negar certas coisas. Coisas que tentamos esconder a sete chaves já são de domínio público antes mesmo de saírem de nossa boca. Culpa do olhar, dos gestos, dos atos. Somos denunciados, ou até mesmo traídos por nossas próprias facetas. Não há remédio, não há cura. Não há cura pra verdade. Apesar de inconscientes são manifestações verdadeiras, sinceras, que nascem de impulsos incontroláveis desencadeados por sentimentos momentâneos ou não. Mesmo não tendo controle sobre aquilo que é inegável ao olhos de quem nos fita, devemos tomar cuidado. Por vezes ficamos submissos aos impulsos da mente e do coração e isso pode incomodar aqueles que estão ao lado. Por isso preste atenção. Não se deixe hipnotizar por belos olhos verdes ao servir o café puro, você pode perder a linha e sujar a linda toalha de renda branca por não ver que a xícara transbordou.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Sabe aquela Coisa?
Há coisas que não se consegue dissertar. Não se sabe cor, forma, duração, peso, tamanho, profundidade, diâmetro, densidade, intensidade. Sabe aquela Coisa? Que Coisa? Aquela! Não sei não.
É assim que acontece. Um belo dia de início, acredita-se que o sol vá perdurar até o cair da noite. Você que não está só, percebe que a chuva pode deixar nublado aquele cenário perfeito. O surpreendente é que a partir daí a Coisa aparece, dentro de você. Será que a Coisa queima? Será que ela resfria? Tira o ar? Não dá pra saber, só dá pra saber que a Coisa está lá. Ela é impermeável e ignora a má intenção da água que cai do céu. A cada gesto, a cada olhar a Coisa reacende e deixa o tempo andando devagar, em câmera lenta, pra te ajudar a tentar entender. Só que tentar entender uma Coisa dessas é tarefa desumana. É só sentir.
E quando alguém depois lhe pergunta: Como foi? Você responde: Sabe aquela Coisa?
É assim que acontece. Um belo dia de início, acredita-se que o sol vá perdurar até o cair da noite. Você que não está só, percebe que a chuva pode deixar nublado aquele cenário perfeito. O surpreendente é que a partir daí a Coisa aparece, dentro de você. Será que a Coisa queima? Será que ela resfria? Tira o ar? Não dá pra saber, só dá pra saber que a Coisa está lá. Ela é impermeável e ignora a má intenção da água que cai do céu. A cada gesto, a cada olhar a Coisa reacende e deixa o tempo andando devagar, em câmera lenta, pra te ajudar a tentar entender. Só que tentar entender uma Coisa dessas é tarefa desumana. É só sentir.
E quando alguém depois lhe pergunta: Como foi? Você responde: Sabe aquela Coisa?
segunda-feira, 22 de março de 2010
Quero mais
Alegremente ria ao fim. Todo o alivio que me tomou. Depois de horas sem exatidão, tudo que eu mais queria era me levantar e me sentir, nem que fosse o mínimo, livre. Nao sei como alguns suportam ângulos no sol. Cheiro metálico das correntes que os prendem debaixo de outra mão. Longe é tudo onde não se consegue chegar, apesar de tentar.
obs: escrevi este microtexto em 23/01/2006. Não houve alterações no mesmo.
obs: escrevi este microtexto em 23/01/2006. Não houve alterações no mesmo.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Até logo
Ele quis dizer o que sentia.
Sentia mas não via,
que o falar dela ele não ouvia.
Sinais postados a frente dos olhos.
Sem entender o óbvio.
Ingenuidade infanto juvenil
Ame, brinque e seja gentil.
Memórias de bons e quentes dias
De pele e de quadril.
Empolgação e euforia
O sol brilhava quando ela sorria.
O soro tem gosto de lágrimas
Como o Titãs dizia.
Mas ele não desiste.
Põe seu amor em riste.
Convencido que não há nada mais triste.
E que nem o céu é o limite.
Sentia mas não via,
que o falar dela ele não ouvia.
Sinais postados a frente dos olhos.
Sem entender o óbvio.
Ingenuidade infanto juvenil
Ame, brinque e seja gentil.
Memórias de bons e quentes dias
De pele e de quadril.
Empolgação e euforia
O sol brilhava quando ela sorria.
O soro tem gosto de lágrimas
Como o Titãs dizia.
Mas ele não desiste.
Põe seu amor em riste.
Convencido que não há nada mais triste.
E que nem o céu é o limite.
segunda-feira, 1 de março de 2010
O Tempo
A passagem, a marcação, as lendas, a mística. O tempo são só horas? Isso tudo cabe dentro de meses? Somos tudo e não somos nada. Somos uma dízima periódica de um cálculo sobre o mundo. Somos a principal coisa em determinadas situações.
O tempo é sábio, louco e médico. Ele ensina, ele faz se perder, ele cura. O tempo é Deus. Decide sobre todas as coisas de acordo com o que ele planeja. Mas não podemos parar e esperar as rugas contarem uma história sem muita atração. Como levamos o tempo e como deixamos ele nos levar muda tudo, porque aquele mesmo caminho pode demorar muito ou pode nem durar o suficiente pra se lembrar. E lembrar é a foto que o tempo tira e guarda na nossa alma. Mas o que fica é a lição de ser, sentir e sempre se banhar na calma. Na calma certeza de que nem tudo passa, o que vale a pena sempre fica, pra te fazer companhia num domingo chuvoso de verão.
O tempo é sábio, louco e médico. Ele ensina, ele faz se perder, ele cura. O tempo é Deus. Decide sobre todas as coisas de acordo com o que ele planeja. Mas não podemos parar e esperar as rugas contarem uma história sem muita atração. Como levamos o tempo e como deixamos ele nos levar muda tudo, porque aquele mesmo caminho pode demorar muito ou pode nem durar o suficiente pra se lembrar. E lembrar é a foto que o tempo tira e guarda na nossa alma. Mas o que fica é a lição de ser, sentir e sempre se banhar na calma. Na calma certeza de que nem tudo passa, o que vale a pena sempre fica, pra te fazer companhia num domingo chuvoso de verão.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Vamos falar de publicidade
Não entendi o motivo de não ter escrito sobre publicidade ainda. Um assunto que eu penso, falo e reflito durante boa parte do dia. Talvez seja porque a atividade intensa de absorver conteúdo tenha me tirado o tempo necessário para desenvolver conteúdo. Depois das diversas prosas, que meus amigos não aguentam mais, sobre o fabuloso mundo encantado da propaganda, percebi que tenho muitas opiniões interessantes sobre o assunto. E quando digo interessantes não afirmo que são certas ou erradas, são apenas visões peculiares sobre algo que faz parte da cultura do brasileiro de maneira tão forte e que por vezes é tão pouco discutido fora da panela publicitária. Afinal, publicidade também é uma Assunto Popular Brasileiro.
Para começar podemos falar um pouco da mística criada em torno da atividade publicitária no Brasil. A primeira coisa que me chama atenção é a imagem que alguns adolescentes recém saídos do colégio tem do curso de publicidade. Na inevitável dúvida pré vestibular a cabeça do coitado vai de zero a cem em cinco segundos com a pressão de uma escolha que poderá (ou não) ditar o resto da sua vida. Pais, amigos, prós e contras de cada profissão, acabam gerando um turbilhão de dúvidas e a falta de informações, terminam gerando impressões que nem sempre condizem com a realidade de cada disciplina. Eles pensam: "Medicina é preciso sangue frio, psicologia é pra loucos, não vou fazer engenharia porque odeio matemática, direito tem que ler muito e administração vai me fazer um executivo, eu não quero ser executivo!". E depois pensam: "Publicidade! Sim, como não pensei nisso antes?! É isso mesmo, publicidade é moleza!". Mas o que os nossos ingênuos pupilos não sabem é que o publicitário tem que ter sangue frio, um pouco de loucura, que vai conviver com a matemática, vai ler tanto que vai virar míope e se quiser ganhar dinheiro terá que virar um executivo ou algo parecido. A rapadura é doce mas não é mole não. E é por isso que digo, esse ramo é para quem gosta, para quem respira e entende propaganda. O que não é difícil, precisa-se apenas de muita sensibilidade. Por que sensibilidade? Simples. Porque se lida com pessoas, seus sentimentos, crenças e princípios, só por isso. Portanto rapaziada que ainda não se decidiu, pense bem e pense muito, se conseguir fazer isso já é um grande passo para se tornar um publicitário.
Para começar podemos falar um pouco da mística criada em torno da atividade publicitária no Brasil. A primeira coisa que me chama atenção é a imagem que alguns adolescentes recém saídos do colégio tem do curso de publicidade. Na inevitável dúvida pré vestibular a cabeça do coitado vai de zero a cem em cinco segundos com a pressão de uma escolha que poderá (ou não) ditar o resto da sua vida. Pais, amigos, prós e contras de cada profissão, acabam gerando um turbilhão de dúvidas e a falta de informações, terminam gerando impressões que nem sempre condizem com a realidade de cada disciplina. Eles pensam: "Medicina é preciso sangue frio, psicologia é pra loucos, não vou fazer engenharia porque odeio matemática, direito tem que ler muito e administração vai me fazer um executivo, eu não quero ser executivo!". E depois pensam: "Publicidade! Sim, como não pensei nisso antes?! É isso mesmo, publicidade é moleza!". Mas o que os nossos ingênuos pupilos não sabem é que o publicitário tem que ter sangue frio, um pouco de loucura, que vai conviver com a matemática, vai ler tanto que vai virar míope e se quiser ganhar dinheiro terá que virar um executivo ou algo parecido. A rapadura é doce mas não é mole não. E é por isso que digo, esse ramo é para quem gosta, para quem respira e entende propaganda. O que não é difícil, precisa-se apenas de muita sensibilidade. Por que sensibilidade? Simples. Porque se lida com pessoas, seus sentimentos, crenças e princípios, só por isso. Portanto rapaziada que ainda não se decidiu, pense bem e pense muito, se conseguir fazer isso já é um grande passo para se tornar um publicitário.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Frases Comentadas Parte 6
"Somos o país mais preparado do mundo para encontrar o ponto G"
Luiz Inácio Lula da Silva - Presidente da República Federativa do Brasil
Encontrar o ponto G não é tarefa das mais fáceis. Sem nem um jantar, flores, uma boa conversa, preliminares e muito, muito carinho, é difícil chegar a esse tão sonhado objetivo. Nos tortuosos caminhos até o clímax nacional, necessidades e certos caprichos precisam ser supridos com elegância e capricho de um gentleman. Queremos que a porta seja aberta para entrarmos, que a cadeira seja puxada para sentarmos e que o jantar seja de bom gosto. Bom, pelo menos é isso que eu espero.
Nosso país tem muitas qualidades exuberantes. Belezas e riquezas naturais, bom solo, boa gente, nosso clima não sofre de austeridades de dons catastróficos, nossa moeda tem se fortalecido, a inflação já parece estar a sete palmos do chão e tudo mais, só que duas coisas me colocam não apenas uma, mas umas centenas de pugas atrás da orelha: a soberba e a desonestidade do político brasileiro. Eu e a torcida do Flamengo, sabemos que assuntos com alto poder de desviar o foco do que realmente importa, como a Copa do Mundo, pré sal e Olimpíadas, são apenas maquiagens de vernis que vem bem a calhar para os caras de pau que visitam Brasília de vez em quando. Não discuto a importância dos eventos citados, porém acho extremamente ingênua a impressão que temos de que tudo parece estar às mil maravilhas, só porque conseguimos tais feitos. A massa precisa acordar, senão vai virar macarrão.
Arruda, enchentes, crise do etanol, juros exorbitantes, burocracia desanimadora, carga tributária mais pesada que bigorna, constante aumento nos salários de parlamentares, corrupção descarada, previdência falida, impunidade. Tudo isso faz parte do que há de pior por essas bandas, mas nem por isso, são capazes de manchar nossa dignidade e vontade de que tudo dê certo. Falta alguém botar ordem na casa, porque o marido tem chegado muito bêbado e assim fica difícil encontrar o ponto G. Temos que parar de fingir o orgasmo e dizer que estamos com dor de cabeça até o Brasil se tocar e tratar melhor quem lhe ama.
Luiz Inácio Lula da Silva - Presidente da República Federativa do Brasil
Encontrar o ponto G não é tarefa das mais fáceis. Sem nem um jantar, flores, uma boa conversa, preliminares e muito, muito carinho, é difícil chegar a esse tão sonhado objetivo. Nos tortuosos caminhos até o clímax nacional, necessidades e certos caprichos precisam ser supridos com elegância e capricho de um gentleman. Queremos que a porta seja aberta para entrarmos, que a cadeira seja puxada para sentarmos e que o jantar seja de bom gosto. Bom, pelo menos é isso que eu espero.
Nosso país tem muitas qualidades exuberantes. Belezas e riquezas naturais, bom solo, boa gente, nosso clima não sofre de austeridades de dons catastróficos, nossa moeda tem se fortalecido, a inflação já parece estar a sete palmos do chão e tudo mais, só que duas coisas me colocam não apenas uma, mas umas centenas de pugas atrás da orelha: a soberba e a desonestidade do político brasileiro. Eu e a torcida do Flamengo, sabemos que assuntos com alto poder de desviar o foco do que realmente importa, como a Copa do Mundo, pré sal e Olimpíadas, são apenas maquiagens de vernis que vem bem a calhar para os caras de pau que visitam Brasília de vez em quando. Não discuto a importância dos eventos citados, porém acho extremamente ingênua a impressão que temos de que tudo parece estar às mil maravilhas, só porque conseguimos tais feitos. A massa precisa acordar, senão vai virar macarrão.
Arruda, enchentes, crise do etanol, juros exorbitantes, burocracia desanimadora, carga tributária mais pesada que bigorna, constante aumento nos salários de parlamentares, corrupção descarada, previdência falida, impunidade. Tudo isso faz parte do que há de pior por essas bandas, mas nem por isso, são capazes de manchar nossa dignidade e vontade de que tudo dê certo. Falta alguém botar ordem na casa, porque o marido tem chegado muito bêbado e assim fica difícil encontrar o ponto G. Temos que parar de fingir o orgasmo e dizer que estamos com dor de cabeça até o Brasil se tocar e tratar melhor quem lhe ama.
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